Frase de André Luiz Zanata
A Trapezista Tua presença sempre foi de altura, leveza que desafia a gravidade, um salto no vazio — sem medo, sem rede, como quem nasceu para voar. E eu, aqui embaixo, no chão firme das palavras, apenas te assisti: dançar entre os arcos do ar, girar entre os cabos invisíveis, flutuar como quem não pertence a lugar nenhum. Teu nome, nome de trapezista, já anunciava a tua sina: voar, encantar, desaparecer. Fui plateia e fui aplauso, fui silêncio e fui espera. Olhei teus saltos, teus riscos, tua beleza suspensa, sabendo que, um dia, o espetáculo acabaria. E acabou… mas o picadeiro da memória permanece armado, as luzes seguem acesas, e teu vulto, tão etéreo, ainda atravessa os meus pensamentos num voo perfeito, num giro interminável. Se um dia voltares, não precisas de rede, nem de cordas, basta o espaço entre meus braços pronto, aberto, para te acolher no pouso ou te lançar, outra vez, ao céu.
No pensador.ai desde