Frase de Cláudia Barral
PEQUENA VALSA PARA O FUNERAL DAS HORAS. Se eu pudesse, minha irmã, ouvir o que ela ouvia Quando olhava, em silêncio, os relógios, seus ponteiros a girar. Se eu pudesse escutar o som que eles faziam, O tempo que existia, quando o tempo costumava a caminhar. As mulheres costumavam engordar, Os homens desatavam a beber, Os velhos tinham o hábito de morrer, E o tempo não parava de passar. Se eu pudesse acompanhar seus olhos que seguiam As horas que morriam quando outras começavam a nascer. Se eu pudesse escutar que o som do que ela via Era um tal barulho imenso que podia, em silêncio, ensurdecer. Quando ainda era cedo. Quando ela ainda podia ficar. Quando ela ainda queria me ver. E o tempo não parava de passar.
No pensador.ai desde