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Frase de Cláudia Barral

JANELA ACESA A moça se inclina sobre o parapeito, silêncio, flor branca guardada. Perdida de mim, a moça ausente me olha. É a minha alma que ela espreme entre os dedos ferozes. A moça habita o azul, entre nuvens, anjos e pássaros, seu rosto sem sol. Suspensa nos olha, atrás da vidraça, seu nicho de santa, sua vida que eu não conheço. De longe eu a vejo, princesa do céu, enquanto estou preso em mim.

Cláudia Barral

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Pensador.com

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POUSO Para me aninhar nos teus braços percorri mil oceanos, As águas profundas de mim mesma.
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POUSO Para me aninhar nos teus braços percorri mil oceanos, As águas profundas de mim mesma. Até dormir a teu lado passei as noites em claro, Percorri os subterrâneos. Para ver os teus olhos tive que descobrir os meus, Meus olhos pousados sobre pedras quentes. Chegar a ti foi tudo o que fiz. E foi o bastante.

PEQUENA VALSA PARA O FUNERAL DAS HORAS. Se eu pudesse, minha irmã, ouvir o que ela ouvia Quando olhava, em silêncio, os relógios, seus ponteiros a girar.
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PEQUENA VALSA PARA O FUNERAL DAS HORAS. Se eu pudesse, minha irmã, ouvir o que ela ouvia Quando olhava, em silêncio, os relógios, seus ponteiros a girar. Se eu pudesse escutar o som que eles faziam, O tempo que existia, quando o tempo costumava a caminhar. As mulheres costumavam engordar, Os homens desatavam a beber, Os velhos tinham o hábito de morrer, E o tempo não parava de passar. Se eu pudesse acompanhar seus olhos que seguiam As horas que morriam quando outras começavam a nascer. Se eu pudesse escutar que o som do que ela via Era um tal barulho imenso que podia, em silêncio, ensurdecer. Quando ainda era cedo. Quando ela ainda podia ficar. Quando ela ainda queria me ver. E o tempo não parava de passar.