Frase de Luciano Calazans
CASO VOCÊ NÃO SAIBA. Não! Não ouvirei o sussurro da sanha De temer a luta — e não ser temido De temer o luto — sem ao menos lutar! De temer sanhas, façanhas e artimanhas De uma vez por todas, daqueles que tentam amiúde fazer o auriverde, pendão auriverde, brado auriverde sangrar. Não sou Aquiles tampouco Heitor E Não serei o fígado de Prometeu... Quero Atena atenuando a quase calefação do meu sangue, vermelho sangue, suado sangue — enquanto párias jogam xadrez Macabras aritméticas Tenebrosas equações Quinhentos e treze é morte, é monturo e azar Malfadado português falado por quem desconhece os verbos, incluindo o SER! Preferem à revelia de milhões, E em milhões o verbo Ter... Poder? O que é poder? Onde começa? Onde termina Poder é não querer e poder não sucumbir à besta e suas quinhentas e treze cabeças Línguas bifurcadas, perdidas, enroladas, perdidas e ensimesmadas. Poder? Prefiro não discorrer sobre tal verbo Tão procurado da mais vil forma subsidiado pelo mais vil metal. Quero o sonho, o pão e a arte Quero a vida comungada em qualquer parte Quero a lucidez da comunhão Quero a loucura do sim e do não Quero abrigo para os meninos Quero abrigo para as meninas Quero água do sertão E a brisa beira-mar Quero o rio doce em minha língua Quero minha pátria Tabaréus, cafuzos, mamelucos, mulatos – nação vira-lata! Sim! Vira-lata! Prestem atenção! A besta jamais dirá sim Sem algo em troca. Quinhentos e treze cabeças Bilhões de Aves Marias Amém . Luciano Calazans. Salvador, Bahia. -
No pensador.ai desde