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Frase de Carlos Alberto Rodrigues Alves

MEU PROGRAMA NESTE DIA DO INDIO Neste domingo, dia do índio , eu que sou tataraneto de um deles, quero fazer uma homenagem a mim mesmo e a minha família. Vamos esquecer os trabalhos , descer a serra do mar e subir a um paraíso musical onde cantam pintassilgos , pintaroxos, melros, engole-ventos, saíras, inhambus, patativas, tordos, tujus, tuins , tiés-sangue, tiés-fogo , rouxinóis, coleiras , trigueiros , colibris , macucos e outros pássaros da orquestra sinfônica de Passaredo, bela música de Chico Buarque e Francis Hime. Deste autêntico-programa-de-índio , além da pajelança neo-ortodoxa, do cachimbo da paz e da rodada de chá-de-cana, consta que faremos uma meditação sobre um texto sagrado escrito pelo chefe índio Seatle e endereçado ao presidente dos EUA. Ei-lo ecologicamente correto, belo e romântico, como almeja nossa alma indígena: Não há um lugar calmo nas cidades do homem branco. Nenhum lugar para escutar o desabrochar das flores na primavera ou o bater das asas de um inseto. E o que resta da vida se um homem não pode escutar o choro solitário de um pássaro ou o coaxar dos sapos à volta de uma lagoa à noite? O índio prefere o suave murmúrio do vento, encrespando a face do lago e o próprio aroma do vento levado pela chuva ou perfumado pelos pinheiros. Quando retornar para a cidade, quero de novo, estar sintonizado com as batidas do meu coração. E com minha pressão arterial no compasso da mãe natureza: calma, serena e tranquila! O grande Senhor do sol, da lua, das montanhas, dos ventos , das águas, dos passarinhos e de todos os peles-vermelhas me ajudará na bela empreitada.

Carlos Alberto Rodrigues Alves

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Pensador.com

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Outras frases de Carlos Alberto Rodrigues Alves

MERCEDES: GRACIAS A LA VIDA! Morreu Mercedes Sosa, a voz das veias abertas da América morena. Cantora que fez os corpos de tantos amedrontados se mobilizarem para resistência.
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MERCEDES: GRACIAS A LA VIDA! Morreu Mercedes Sosa, a voz das veias abertas da América morena. Cantora que fez os corpos de tantos amedrontados se mobilizarem para resistência. Nos pesados anos de chumbo, os que optaram pela força do fuzil entenderam, e com razão, que suas músicas lhes eram mais perigosas que a luta armada. Por isso, trataram de prendê-la , e deportá-la. Erraram ao perceber que ela se tornaria ícone de “una Hermana mas hermosa que se chama liberdade” Erraram também ao não imaginarem que quanto mais as botas pesadas lhe espezinhasse, tanto mais forte ela deixava sair de sua voz e de seu bumbo-engajado, os versos e a alma do poeta : “Os poderosos podem matar uma, duas ou três flores, mas não podem impedir a chega da primavera”. Assisti “ la Negra” no teatro Guaíra, quando ela voltava de seu exílio em Paris e Madri. Período de redemocratização do Brasil. Período que estavam voltando as flores. O teatro veio abaixo quando ela cantou Yo tengo tantos hermanos Que no los puedo contar En el valle en la montaña En la pampa y en el mar Cada cual con sus trabajos Con sus sueños cada cual Con la esperanza delante Con los recuerdos detrás Yo tengo tantos hermanos Que no los puedo contar Morreu Mercedes Sosa nessa primavera. Sua voz está mais florida que nunca! Algumas de suas utopias se concretizaram. Outras ainda nascerão de suas canções pois estas não podem morrer jamais. Eu que um dia a vi esta guerreira ao vivo, continuo ouvindo-a quando empunho meu violão para cantar a canção que traduz o nome de Mercedes: “Gracias a la vida que me há dado tanto...”!

SOBRE A ARTE DE ENVELHECER Estava estampada no jornal do bairro: "Velho de 51 anos morre atropelado no dia mundial sem carro".
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SOBRE A ARTE DE ENVELHECER Estava estampada no jornal do bairro: "Velho de 51 anos morre atropelado no dia mundial sem carro". Quase morri também! 51 anos...velho!!! Eu tenho 52! Em compensação, no mesmo dia, recebi de um amigo, um artigo em que a jornalista Regina Brett, de Cleaveland, celebrava sua chegada aos 90 anos no apogeu de seu trabalho criativo e cheia de energia. Alguns dos seus segredos: Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem ideia do que se trata a jornada deles. Tudo pode mudar num piscar de olhos; mas não se preocupe, Deus nunca pisca. Respire bem fundo. Isso acalma a mente. Ninguém é responsável pela sua felicidade, além de você. Perdoe tudo de todos. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta. Deus te ama por causa de quem Ele é, não pelo que você fez ou deixou de fazer. Seus filhos só têm uma infância. Tudo o que realmente importa, no final, é que você amou. A vida não vem embrulhada em um laço, mas ainda é um presente Quando disse para um amigo Mário que também pretendo chegar “lá-pela-casa-dos-noventa-cem", ele reagiu dizendo: " Não vamos limitar a graça de Deus"!

O RIO PARANAPANEMA Nasci não-muito-longe das barrancas do Paranapanema. Esse rio que passa na minha aldeia, não é o Tejo e nem o Nilo, mas também é cheio de contos, causos e cantos.
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O RIO PARANAPANEMA Nasci não-muito-longe das barrancas do Paranapanema. Esse rio que passa na minha aldeia, não é o Tejo e nem o Nilo, mas também é cheio de contos, causos e cantos. Místico que sou, sempre acreditei que os rios têm alma. Choram, guardam segredos, sangram e sorriam. Também pensava assim Tales de Mileto, filósofo grego, segundo o qual a água é o elemento primeiro do universo. Meu rio, que hoje recebe o status de “rio mais limpo do Estado de São Paulo”, vira e mexe é alvo de interesses escusos. Estes, aliás, sempre travestidos de um pseudo-progresso-autossustentável como canta a canção de uma viola engajada: " Meia dúzia de carrascos movidos pela ambição Tentaram matar o rio com indústrias na região O povo da redondeza fez das tripas coração A empresa criminosa bateu com a cara no chão" Sempre que sei de novas investidas contra o “Panema” tenho vontade de armar uma esquadra de barcos-cheios-de-carrancas, iguais aquelas do Rio São Francisco, para espantar esses maus-espíritos-que--se-entocaiam na região. Mas aí, há amigos que me convencem que a poesia e o canto dos violeiros locais, são a melhor cruzada para mobilizar o povo e proteger o rio. De fato, a voz e a viola de Tião Carrero e Pardinho sempre se ouve em suas águas abençoadas: "O rio Paranapanema é obra do Criador É espelho das estrelas o mundo do pescador No livro da natureza vai entrar mais um poema Vamos cantar a beleza do rio Paranapanema O rio Paranapanema deságua no Paraná Mas toda a sua beleza deságua no meu cantar" ( Para meu pai que me levava pescar no Panema)

SOBRE DEUS E O DIABO NUM REPIQUE DA VIOLA Foi Guimarães Rosa quem melhor descreveu... Foi Glauber Rocha quem melhor encenou... Mas foi a dupla Edu Lobo e Capinam quem melhor cantou a trama acima. Tudo está codificado em poucas palavras na canção “Viola fora de moda”, um mantra…
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SOBRE DEUS E O DIABO NUM REPIQUE DA VIOLA Foi Guimarães Rosa quem melhor descreveu... Foi Glauber Rocha quem melhor encenou... Mas foi a dupla Edu Lobo e Capinam quem melhor cantou a trama acima. Tudo está codificado em poucas palavras na canção “Viola fora de moda”, um mantra bem aos moldes-mágicos da literatura surrealista. Nela, o “Tinhoso”, debochado, apresenta-se para tentar fazer um pacto com um violeiro infeliz. Esse violeiro é uma metáfora de nós mesmos na dança da vida. Veja a releitura que, tirando as alparcas dos pés, arrisco a fazer: “Moda de viola” Moda de viola é o espaço artístico/religioso onde sempre há pelejas místicas entre Deus e o “Cão”. Disso sabem muito bem os violeiros que , no sertão do Urucuia, entre um benzimento e outro, vivem proclamando nas noites de lua cheia: “Bom violeiro ou vem de Deus ou vem do “Demo”. “De um cego infeliz podre na raiz, ah, ah” A canção é um lamento “de profundis” que brota de uma alma que se sente relegada ao Hades-da-condição-humana. O violeiro é cego, infeliz e podre na raiz. Mas, apesar do inferno da inutilidade, ele ainda canta, nem que para isso precise ouvir um eco de sarcasmo-sepulcral: “ah, ah”! Violeiro não vive só de amor e comédia. Ele tira versos da tragédia que o amarga nos dramas históricos. Faz coro com Nietzsche: ”Amo aqueles que não sabem viver a não ser como os que sucumbem..." “Vivo sem futuro, num lugar escuro, e o diabo diz, ah, ah” Nos porões da existência, esse assum-preto-sub-homem, escancara a sua falta de perspectiva. Mais..., tem que ver cara-a-cara o responsável direto pela situação: o “Bode-preto”, que, não bastasse ser o causador da infelicidade, deixa a dor ainda mais cruel por continuar a soltar sua ironia-de-penumbra-dantesca ao final da frase melódica: “ah, ah”!... No livro sagrado de Jó, o “Cujo” aparece como um ministro do primeiro escalão de Deus, responsável pelo “controle de qualidade do criador”. Parece que aqui o caso é semelhante. “Disso eu me encarrego, moda de viola não dá luz a cego, ah, ah!” No auge da moda aparece o nó da trama bem à moda roseana: a possibilidade de um pacto com o “Gramulhão”. A frase “disso eu me encarrego” é um eco das palavras apresentadas a Jesus: “Tudo isso te darei se prostrado me adorares”. Aqui o “Coisa-ruim” subestima o instrumento sagrado do moribundo dizendo que ela não dá luz a cego. Era como se dissesse, “jogue fora tua viola e vem comigo” . E ainda continua impingindo-lhe a gargalhada-da-desgraça: “ah, ah”...! Seguem acordes sem palavras... Conclusões inconclusas: Amigo violeiro: Não acredite no “Tristonho”. Ele é o pai da mentira! São Gonçalo o espantou. Para isso não usou a cortante espada de São Jorge, mas o poder exorcizante de seus acordes-rio-acima-e-celestiais. Uma viola bem tocada vale por duas rezas! Agüenta aí cantador! Está escrito nas veredas do Grande Sertão: “Deus é paciência; o contrário é o diabo”. Lembre de outro musicante que, fazendo caminho , cantarolava: “Faz escuro, mas eu canto porque amanhã vai ser bom”. Saiba que nos ponteios da vida, o "Todo Poderoso" não tem concorrente. Portanto faça o “Oculto” picar a mula repicando a viola, mesmo que ela seja como a minha, assim, fora de moda!