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Frase de Castelo Hanssen

UTOPIA Aquela estrela é minha Aquela, pequenina, Na esquina do Universo, escondidinha. Eu, que não tenho nada além dos meus chinelos, Além dos meus poemas, além dos meus anseios, Sou feliz proprietário de uma estrela, Uma que eu inventei, e para vê-la, Fecho os olhos na hora de sonhar. Aquela estrela é minha, senhores astronautas, Vagabundos do espaço de ninguém: Cuidado, ela é frágil, assim como meus versos, Astrônomos, que fuxicai pelo Universo, Se um dia descobrirem essa estrela, Ela tem nome, chama-se Utopia. Aquela estrela é minha, senhor Deus, Que pastoreais nuvens no Infinito, E que semeais sóis e tempestades Não leves a mal a pretensão do poeta, Mas, aquela estrela, ainda que feia, é minha, Não faz parte do elenco dos teus astros, Eu a fiz com as mãos, o sonho, o coração. Aquela estrela é minha, senhoras e senhores E, quem quiser passear na minha estrela, Numa tarde qualquer, de chuva ou sol, É só me dar as mãos, ser meu amigo, Compreender minhas incompreensões, E caminhar comigo. Mas não reparem se, de madrugada, Não houver mais estrelas nem mais nada É que ,às vezes, acordo mal dormido, Oprimido, homem e pingente, E minha estrela, triste, vai embora, E só regressa numa nova aurora, Quando eu volto a ser gente..

Castelo Hanssen

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Pensador.com

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⁠É NOITE,OS GATOS SÃO PARDOS É noite, e tudo é mentira As poças d'água na rua
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⁠É NOITE,OS GATOS SÃO PARDOS É noite, e tudo é mentira As poças d'água na rua enganam os pés incautos, o assobio engana o medo dos fantasmas e dos fatos. É noite,os gatos são pardos... Os muros todos escondem ladrões e policiais, as amizades escondem os "dedos-duros" fatais. A noite já foi suave, já foi ternura,seresta, namoro,luar e festa, conversa,banco;quintal, mas,nesta noite de medo, a gente nunca distingue qual é o amigo sincero, qual é o amor verdadeiro, e qual a flor cujo cheiro não é tóxico ou mortal. As palavras são sussurros, - as paredes têm ouvidos - as verdades são traiçoeiras, os amigos são temidos. Quem fala palavras boas pode ser falso ou vendido, quem grita está insuflando, quem cala está consentindo..

⁠POEMA CACHAÇA Eu queria fazer uma poesia que fosse cristalina como o dia
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⁠POEMA CACHAÇA Eu queria fazer uma poesia que fosse cristalina como o dia para ser consumida como o pão Uma poesia assim agridoce como a fruta do mato, pura como a água do regato melodiosa como uma canção. Uma poesia assim, que trouxesse beleza em cada rima, para ser cantada no trabalho, para ser batucada nas marmitas, para ser comentada nas esquinas. Uma poesia assim comum e popular, como a cachaça, que se bebe barato, que é de graça, que é do pobre, do rico, do sem nome. Uma poesia que todos entendessem, como todos entendem a palavra amor, ou a palavra fome.