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Frase de Graziele Freire de Oliveira

A depressão não grita. Ela senta. E fica. É um cansaço que não passa dormindo, uma tristeza sem espetáculo, uma ausência de vontade até do que antes doía. Acordo e já estou atrasada da vida. Não triste exatamente vazia de impulso. Tudo continua existindo fora de mim com uma normalidade ofensiva. O mundo funciona enquanto eu esforço o simples ato de estar. A depressão não é querer morrer. É não saber muito bem como continuar viva do jeito que se espera. Penso menos no futuro. Não por falta de sonho, mas porque sonhar exige uma energia que agora me falta. Há momentos de lucidez que doem mais que a dor. Percebo tudo. E mesmo assim não consigo mover. Não é drama. É química, é história, é silêncio. É o corpo pedindo pausa e a alma sem voz para explicar. E ainda assim, respiro. Não por esperança grandiosa, mas por hábito, por instinto, por essa teimosia mínima de continuar mesmo sem saber por quê. Talvez isso seja viver agora: seguir em estado bruto, com menos luz, mas ainda aqui

Graziele Freire de Oliveira

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Pensador.com

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⁠Como eu amo amar. Mesmo quando amar cansa. Mesmo quando amar dói
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⁠Como eu amo amar. Mesmo quando amar cansa. Mesmo quando amar dói mais em mim do que no outro. Amo amar porque sentir me faz existir. Porque o amor, mesmo quando falha, me prova viva. Amo amar com excesso, com entrega, com essa coragem quase ingênua de quem ainda acredita. Às vezes amar me esvazia. Outras, me sustenta. Mas nunca passa em vão. Se amar é risco, eu aceito. Prefiro o coração cansado de tanto sentir do que intacto por nunca ter tentado. Como eu amo amar mesmo quando amar é ficar sem ser amada.

Há vozes que não pedem entrada. Elas chegam com a firmeza do que é real.
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Há vozes que não pedem entrada. Elas chegam com a firmeza do que é real. O que se vê não parece imaginação. Tem forma, intenção, sentido. Negar seria ilógico quando tudo se apresenta com tanta convicção. O delírio organiza o mundo. Costura sinais, dá motivo aos gestos, explica o que ninguém explicou. A alucinação não confunde ela afirma. E quem vive isso não está sonhando, está experienciando. O mais difícil não é perder a realidade, mas viver em uma que não é compartilhada.

Há dias em que o silêncio pesa como se a casa estivesse cheia de ausências O tempo passa
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Há dias em que o silêncio pesa como se a casa estivesse cheia de ausências O tempo passa mas não passa por mim ele apenas me atravessa sem pedir licença Carrego sorrisos que não uso palavras que nunca disse e sonhos que ficaram encostados no canto da alma Não é tristeza gritante é esse cansaço manso de existir sentindo demais e sendo pouco sentida Algumas noites eu não choro apenas fico olhando o escuro esperando que ele me entenda

A insanidade raramente se anuncia. Ela se infiltra. Começa como um pensamento a mais,
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A insanidade raramente se anuncia. Ela se infiltra. Começa como um pensamento a mais, uma lucidez excessiva, uma sensibilidade fora de medida. Há mentes que não quebram apenas sustentam demais. Elas funcionam, respondem, cumprem horários, enquanto por dentro tudo oscila. A linha entre sanidade e desvio não é um abismo. É um fio. E muitos caminham sobre ele sem que ninguém perceba. A insanidade não é caos explícito. Às vezes é ordem demais. Controle demais. Consciência demais. Ela se disfarça de normalidade, aprende a conviver, a sorrir no momento certo, a calar no momento errado. E talvez o mais perturbador não seja perder a razão, mas mantê-la enquanto algo, silenciosamente, se desloca por dentro. Porque há estados mentais que não pedem ajuda, não fazem barulho, apenas continuam. E continuar, nesse caso, já é um sintoma.