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Frase de Antero de Quental

Tese e Antítese I Já não sei o que vale a nova idéia, Quando a vejo nas ruas desgrenhada, Torva no aspecto, à luz da barricada, Como bacchante após lúbrica ceia... Sanguinolento o olhar se lhe incendeia; Respira fumo e fogo embriagada: A deusa de alma vasta e sossegada Ei-la presa das fúrias de Medeia! Um século irritado e truculento Chama à epilepsia pensamento, Verbo ao estampido de pelouro e obuz... Mas a idea é n'um mundo inalterável, N'um cristalino céu, que vive estável... Tu, pensamento, não és fogo, és luz! II N'um céu intemerato e cristalino Pode habitar talvez um Deus distante, Vendo passar em sonho cambiante O Ser, como espectáculo divino. Mas o homem, na terra onde o destino O lançou, vive e agita-se incessante: Enche o ar da terra o seu pulmão possante... Cá da terra blasfema ou ergue um hino... A idéia encarna em peitos que palpitam: O seu pulsar são chamas que crepitam, Paixões ardentes como vivos sóis! Combatei pois na terra árida e bruta, Té que a revolva o remoinhar da luta, Té que a fecunde o sangue dos heróis!

Antero de Quental

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Pensador.com

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Meus dias vão correndo vagarosos, Sem prazer e sem dor parece Que o foco interior já desfalece
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Meus dias vão correndo vagarosos, Sem prazer e sem dor parece Que o foco interior já desfalece E vacila com raios duvidosos. É bela a vida e os anos são formosos, E nunca ao peito amante o amor falece... Mas, se a beleza aqui nos aparece, Logo outra lembra de mais puros gozos. A outros céus aspira: Se um momento a prendeu mortal beleza, É pela eterna pátria que suspira... Porém, do pressentir dá-ma a certeza, Dá-ma! e sereno, embora a dor me fira, Eu sempre bendirei esta tristeza!

Ideal Aquela que eu adoro não é feita de lírios nem de rosas purpurinas,
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Ideal Aquela que eu adoro não é feita de lírios nem de rosas purpurinas, não tem as formas lânguidas, divinas, da antiga Vênus de cintura estreita. Não é a Circe, cuja mão suspeita compõe filtros mortais entre ruínas, nem a Amazona, que se agarra às crinas dum corcel e combate satisfeita. A mim mesmo pergunto, e não atino com o nome que dê a essa visão que ora amostra ora esconde o meu destino. É como uma miragem que entrevejo Ideal, que nasceu na solidão, Nuvem, sonho impalpável do Desejo...