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Frase de Bernardo Almeida (www.bernardoalmeida.jor.br)

Dez encontros Nossos encontros renderam-me quinze poesias Mas isso é tudo, preciso ir-me sem titubear Se queres que suma, assim o farei Pude escolher entre dizer adeus por bem ou por mal Entre sair amando triste ou com raiva Chorando de ódio ou de alegria Vi o amor começar a surgir em seu olhar Nem tinha pedido, nem tinha forçado Percebi seu esforço inútil para tentar controlá-lo Então a noite chegou, não para nos acolher E as estrelas atestaram muito bem suas palavras Nem motivos, nem nada, apenas “Não quero mais ver-te” Fui julgado, injustamente visto como culpado Minhas emoções foram menosprezadas Ao rastejar, perdi a última coisa que me sobrava Volta e meia, penso em escrever-te algo Sei que nunca estarei completamente curado Do infortúnio do esquecimento, duro fardo da separação Perseguirei sem fim o seu cheiro Em qualquer mecha loira que cruzar-me a vista Tornar-me-ei um ser mesquinho, não oferecerei além do mínimo E quando, ao acaso, acreditar sentir a sua presença Ainda que não faça mais diferença Estou certo de que passarei uma semana sem dormir A vida, então, não valerá a pena Até que a sua voz serena volte a massagear-me Fazendo ecoar notas sublimes em musicalidade e amor Bernardo Almeida

Bernardo Almeida (www.bernardoalmeida.jor.br)

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Pensador.com

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Outras frases de Bernardo Almeida (www.bernardoalmeida.jor.br)

O resto Dias tristes Seguem-se um após o outro
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O resto Dias tristes Seguem-se um após o outro Noites chuvosas e manhãs secas No bar, deposito as minhas incertezas amorosas Atrás de ti, não me reconheço Ao seu lado sou completo Mas meus versos não rimam com o seu nome Sou andarilho, sou permissivo Vejo seu corpo e cobiço-o Mesmo que finja não enxergar-me Em punho, outro poema Para cantar a desilusão Os desencontros e as armadilhas Em princípio, sou o fim E coloco-me a sua disposição Sempre alheio aos acontecimentos Bata em minha face Derrame sobre mim a mais fria água E desperte-me deste sonho inoportuno Bernardo Almeida (Livro Achados e Perdidos)

Sem destino O vento é frio e a noite tão acolhedora Solitária e nublada como minha sorte
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Sem destino O vento é frio e a noite tão acolhedora Solitária e nublada como minha sorte Leste, oeste, sul e norte Uma bússola quebrada, desvairada Aponta para o nada e diz tudo Envia-me ao caminho menos oportuno Como um beijo derradeiro inalcançado Ou a cartada que precede a derrota Fora de contato, escondo segredos Que anuncio apenas à minha sombra E nem mesmo dela guardo confiança Quantas vezes não me traiu com certezas dúbias? Serei o penúltimo cavalheiro Aquele que leva as flores Mas nunca termina com a dama Estou fadado às despedidas e prêmios de consolação Serei então os restos do perdão Os ossos por trás de qualquer beleza A segunda-feira, a ressaca, as súplicas A humilhação, a tristeza, o medo de perder-te Mas diziam que o amor eleva? Conheci do paraíso às trevas E resido na instabilidade sem prescrição Tão perigosa quanto a própria vida Bernardo Almeida (Livro Achados e Perdidos)

Inadequado Eu não nasci para essa vida banal Uma rotina e um emprego convencional
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Inadequado Eu não nasci para essa vida banal Uma rotina e um emprego convencional Isso me soa marasmo Faz tudo que é belo Se tornar igual e chato Nada é mais estático Do que esse pobre padrão Que cria a cada dia um novo lunático Ou um perigoso ladrão Sou volátil como o álcool que bebo Sou daqui e dali Posso querer ser o mar E, em segundos, desistir Sou da vida Sou da natureza Sou sem pudor Sou no frio, o calor Sou do amor Sou do amor Bernardo Almeida (Livro Achados e Perdidos)

Incógnita O que tenta dizer-me esse olhar Profundamente misterioso
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Incógnita O que tenta dizer-me esse olhar Profundamente misterioso Que se esconde por detrás Dessa placa de gelo e vidro Talvez diga que me ama Mas poderia também zombar Dos meus elogios óbvios Da minha solicitude exagerada Quero dar o que te falta Mas, afinal, o que te falta? Seus olhos saltam de espanto Escondem respostas e choram Quem dera tivesse eu desenvolvido Os dons espirituais da mediunidade Atravessaria seus pensamentos E, em meio ao veneno, encontraria o antídoto Mas tudo o que me cabe É sentar ao seu lado E partilhar o silêncio cúmplice Da incógnita dos seus sentimentos Bernardo Almeida (Livro Achados e Perdidos)