Frase de Armando Moro
CASA VAZIA Não há mais nada, a casa está vazia. O ar empoeirado e a mobília desfeita lembra que ali houve um lar. O cheiro de limpeza se foi, e de longe percebe-se o bolor e teias que se acumulam em todo o lugar. Se havia amor, ninguém declara. Há um ruidoso silêncio em toda parte. Existirá sempre uma pergunta no ar. Quem seriam os habitantes? E de onde vieram? o que sentiram? Ficará sempre a pergunta e a dúvida. Não havia nada escrito, um diário, um papelucho que fosse, Nada deixava rastro do que houve ali. Sabe-se que a casa está vazia E da história nada se sabe porque ninguém se preocupou em escrever. Valentina Fraga Resposta: Casa Vazia (cont.) Não há mais nada, a casa está vazia. Quem a mobilhou aqui não mais vive. Quantos invernos por timidez do sol, Quanta solidão por timidez de se amar, Quanta indiferença onde deveria vida... Não me importam as teias pelo descaso Desde que a desculpa fosse o excesso De olhar nos olhos, as risadas bobas, A entrega no convívio intenso e vívido. Quem dera a timidez fosse das palavras Profanas que destroem ao invés de construir, Que como marretadas fortes atacam A estrutura e fazem das colunas Que deveriam sustentar ruínas que Mal suportam o próprio peso. Quem dera as lembranças dos sons Fossem acima de tudo as risadas felizes, O trocar de uma cócega casual. Me pergunto à quem ali morou Porque não a facilidade com o amor Como o eram com as ofensas, o descaso... Porque não a facilidade com o plantio Das rosas como era o pisar no jardim Como se dele houvesse obrigação de Crescer e renascer sozinho, como Se pisado tivesse o destino insólito De pura e simplesmente se superar. Das paredes onde deveriam decoradas, Vejo paredes vazias de quem sequer Tentou escrever um história de verdade, E sem a desculpa escusa da grana Porque tão romântico ou bonito quanto É o capricho da simplicidade e do “faça você mesmo”... A visão de ruínas cabe ao coração Mal cuidado, onde de colocam-se Todo e qualquer problema acima Desse amor e desse zelar. Coloca-se em risco o amor Como quem por um formigueiro à porta Da fortaleza enviasse todo seu exército Em forma de kamikazes sem pensar Que por detrás da entrega de cada um Existe uma família que chora, Filhos com lágrimas aos olhos Por uma batalha que não entendem, Mas por uma vida perdida pela Honra do que se acredita. A casa esteve sempre cheia... Cheia do amor e do sabor dos sentimentos Que sempre cultivei e servi. Se hoje vazia o é pura e simplesmente Porque a quem servia não deu-lhe valor E passei a perder o incentivo de Quem constrói, de quem zela, Reforma, torna aconchegante. Problema não é chamar uma casa De vazia por que sempre em alguns Momentos assim estamos, Por mudanças, introspecção... Problema é cheia ou vazia não termos A boca cheia para chamá-la de lar, Porque lar só é feito de verdade Com o termo “família” aplicado Mesmo que essa seja uma Nova família. Armando Moro
No pensador.ai desde