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Frase de Everton Arieiro

Por que dizemos que na vida tudo é passageiro? Será que o fazemos apenas quando falamos de problemas? Será que a alusão é restrita aos bons tempos? Será que está ligados às amizades? Sempre fico pensando, e dou asas à imaginação. Lembro da infância, e vejo que foi passageira. Alguns amigos cujos vínculos pareciam não terminar nunca, alguma coisa de força, vitalidade que parecia infinita, até os dias pareciam maiores, não entendia o sentido do que é passageiro. Descobri que a melhor forma de ver um passageiro na vida, é comparar as coisas e as pessoas a um ônibus. Em algum lugar do caminho, há alguém esperando, e o ônibus há de parar, apesar de alguns precisarem ir mais longe, chegará a hora em que aquele ônibus não é mais necessário, e será necessário descer dele. Por vários motivos descemos. Pode ser que agora esteja perto do destino e dê pra fazer o restante do percurso a pé; pode ser que a rota que ele faz não seja mais a desejada, e compense descer para fazer o trajeto à própria maneira; pode ser que o ônibus já tenha oferecido tudo o que tinha a oferecer, esteja velho, e agora, já seja possível pagar um táxi e desfrutar de seu conforto, afinal, o ônibus foi apenas um meio para chegar, mas apesar de estar nele, era por falta de opção, esperando por algo melhor. Descobri que assim é a vida, cheia de passageiros. Quando o ônibus não serve mais, quando já chegou no limite das forças, ou surgiu a possibilidade de ser mais feliz, a tendência é que as pessoas desçam desse ônibus, esqueçam o nome, a marca, as características, e sintam-se livres para um voo, alto, distante, cada vez mais distante, fazendo jus ao nome: passageiro. Chegou, entrou por uma porta e saiu por outra, há casos em que a saída é pela mesma porta de entrada. Mas o que há pra se notar é que estaremos sempre cercados, e às vezes nós mesmos somos, mesmo não admitindo, mesmo dizendo, afirmando a plenos pulmões, que não somos. Sempre que alguém entrar no ônibus, sabemos que em algum momento descerá. Sempre que alguém descer do ônibus, sabemos que já era uma tendência.

Everton Arieiro

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Às vezes me perguntam se parei de fazer o que fazia. Então lembro dos construtores, que concluem uma obra; depois ficam ocupados por muito tempo nos alicerces de uma nova obra. Na vida, há um número elevado de obras. Quando termino uma, alicerço uma nova. Não dá para ser visível…
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Às vezes me perguntam se parei de fazer o que fazia. Então lembro dos construtores, que concluem uma obra; depois ficam ocupados por muito tempo nos alicerces de uma nova obra. Na vida, há um número elevado de obras. Quando termino uma, alicerço uma nova. Não dá para ser visível quando trabalho nesta parte.

A saudade dos mortos pode ser uma perda de tempo, visto que a dor, ou sentimentos de culpa, juntos ou separadamente, não trazem ninguém de volta; Mas a saudade dos vivos, se for verdadeira, faz sair de casa, a pé, de ônibus, carroça, de qualquer forma, importando apenas com o en…
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A saudade dos mortos pode ser uma perda de tempo, visto que a dor, ou sentimentos de culpa, juntos ou separadamente, não trazem ninguém de volta; Mas a saudade dos vivos, se for verdadeira, faz sair de casa, a pé, de ônibus, carroça, de qualquer forma, importando apenas com o encontro, para rir do tempo que fez desencontrar.