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Frase de Gabriel Luiz maroli

Alma hipócrita... Odeio o silêncio que fica quando você vai, Mas não se engane: não é saudade, é só o ego que cai. Eu nem gosto de você, nunca houve esse querer, Eu só nutro um ódio profundo pela sensação de perder. ​Adoro o brilho do que é proibido, do que está distante, O inacessível é meu combustível, meu vício constante. Repito histórias, ensaio tragédias em grandes encenações, Um ator medíocre preso em velhas e vãs repetições. ​Sou a hipocrisia em carne, osso e falsa memória, Apago os cortes, as traições, mudo o fim da história. Esqueço o aço nas costas, o abraço que foi punhal, E finjo que o veneno que bebi era algo natural. ​Mas ei, veja como sou nobre ao assumir meu papel: Talvez a culpa fosse minha, talvez eu tenha sido cruel. "Ela sofria", eu digo, criando um álibi qualquer, Justificando o golpe de quem nunca soube me querer. ​Vou seguindo assim, nesse teatro de sombras e farsa, Acreditando na mentira que o meu próprio peito traça. É o meu escudo, meu modo covarde de não ver ninguém partir, Pois se eu me convencer do engano, não preciso mais sentir. ​Que a morte me encontre no meio desse labirinto vil, Antes que eu me apegue a outra alma, antes de outro abril. Pois é mais fácil esperar o fim, no frio dessa agonia, Do que admitir que sou o mestre da minha própria hipocrisia.

Gabriel Luiz maroli

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Pensador.com

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⁠À Senhora da Última Viagem Morte, de tantos nomes e em tantos versos, Escrevo-te hoje, sem medos ou reversos.
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⁠À Senhora da Última Viagem Morte, de tantos nomes e em tantos versos, Escrevo-te hoje, sem medos ou reversos. Não como um lamento, nem com dor a chorar, Mas com a curiosidade de quem quer desvendar. Vens sem aviso, ou com sinais que ignoramos, Levando de nós os elos que tanto amamos. Em teu silêncio, resides a grande incerteza, Do que há depois, da eterna beleza. Muitos te temem, a ti, o inevitável fim, A fronteira que corta a vida de mim. Mas vejo em ti também um grande alívio, O ponto final para o sofrer e o calvário. Tu não distingues idade, riqueza ou poder, Com tua foice justa, vens para colher. És a igualdade que a vida não oferece, A paz derradeira que o corpo envelhece. Ensina-nos, Morte, a valorizar cada instante, A amar sem reservas, com um amor radiante. Pois ao sabermos que tua visita virá, Damos mais valor ao tempo que nos resta. E quando chegares, com teu véu a planar, Espero encontrar a calma para te abraçar. Que em teus braços, a alma possa repousar, E o que foi vivido, eternamente brilhar. Com respeito e, sim, um pouco de fascínio, Um Ser Humano em seu caminho.

⁠. A beleza da morte morte A Morte sempre soube seu papel, Chegava para todos, um final cruel.
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⁠. A beleza da morte morte A Morte sempre soube seu papel, Chegava para todos, um final cruel. Mas nunca parou para sentir o ar, Até que a Vida, radiante, a fez sonhar. Nos olhos da Vida, um brilho sem igual, Tão magnífica, um amor sem par. A Morte tentou, mas não pôde tocar, Decidiu então, apenas acompanhar. A cada passo, um novo encanto, A Morte fascinada, em doce espanto. Como a Vida era bela, sem disfarce, Crueldade seria não se entregar a esse enlace. Foi ali que a Morte se apaixonou, Pela Vida, um amor que a transformou. O mais puro que podia existir, Vindo de algo sombrio, a Morte a sorrir. Mas o dia chegou, o inevitável, A Morte relutou, um nó apertado. A Vida, sábia, compreendeu a dor, Era o momento de cumprir o amor. Num abraço final, o destino selado, Nascemos sabendo o fim, predestinado. Mesmo que doa, temos que aceitar, Que aqueles que amamos, precisam partir, e nos deixar.

Alguns dias parecem pesados ⁠Em dias assim, de chumbo e calmaria tensa, O mundo grita em cores que a alma não pensa.
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Alguns dias parecem pesados ⁠Em dias assim, de chumbo e calmaria tensa, O mundo grita em cores que a alma não pensa. O coração, outrora canção leve e solta, Bate exausto, na engrenagem que nos volta. O peso interno, fardo invisível e constante, Não se revela em números, mas em instante De respiração curta, em nó na garganta, Em sombra alongada que a alegria espanta. Esmaga lento, como a gota que fura a pedra, Cada suspiro um passo em direção à treva. A força se esvai, a vontade se dobra, Sob o jugo silente que a alma absorve. Mas lembre-se, em meio à pressão que aperta, Que a noite mais densa precede a alvorada liberta. Ainda há espaço para um respiro profundo, Para encontrar em si um novo mundo.

Lembranças ⁠Em Timbó, onde o sol beija a colina, Há sombras longas, de estranha sina.
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Lembranças ⁠Em Timbó, onde o sol beija a colina, Há sombras longas, de estranha sina. Certos homens, fantasmas na memória, Seus feitos ecoam, sem ter mais história. Nunca morreram, em lendas suspensas, Seus nomes sussurram, em bocas tensas. Heróis de outrora, em bronze eternizados, Mas seus corações, jamais foram amados. Viveram de glória, de feitos marcantes, Em livros de história, figuras gigantes. Porém, a doçura de um toque suave, O calor de um lar, a alegria que move, Jamais sentiram, presos à missão, Às frias armaduras da ambição. Seus olhos não viram a flor que desabrocha, Nem a simples beleza que a vida nos troca. Assim, pairam sempre, em nosso pensar, Modelos distantes, sem poder tocar. Certos homens nunca morrem, é verdade, Mas em sua eterna fama, falta a humanidade. E há outros, vagando em meio à multidão, Com almas silentes, sem ter direção. Nunca viveram, pois medo os consome, A ousadia dorme, o instante não some. Passam os dias, sem deixar um traço, Seus sonhos murcham, num lento fracasso. A voz embargada, o passo incerto, A vida se esvai, num deserto aberto. Não provam o vinho, nem sentem o abraço, Seu mundo é pequeno, um eterno compasso De rotinas vazias, de olhares fugazes, Prisioneiros de si, em tristes miragens. Então, a balança da vida nos mostra, Que a imortalidade, às vezes, é a nossa Maior solidão, um fardo pesado, Se o viver de verdade, nos foi negado. Pois de que vale a lembrança perpétua, Se a jornada terrena foi sempre incompleta? Melhor a vida breve, sentida e vivida, Que a eterna existência, fria e esquecida.