Frase de Gabriel Luiz maroli
Alma hipócrita... Odeio o silêncio que fica quando você vai, Mas não se engane: não é saudade, é só o ego que cai. Eu nem gosto de você, nunca houve esse querer, Eu só nutro um ódio profundo pela sensação de perder. Adoro o brilho do que é proibido, do que está distante, O inacessível é meu combustível, meu vício constante. Repito histórias, ensaio tragédias em grandes encenações, Um ator medíocre preso em velhas e vãs repetições. Sou a hipocrisia em carne, osso e falsa memória, Apago os cortes, as traições, mudo o fim da história. Esqueço o aço nas costas, o abraço que foi punhal, E finjo que o veneno que bebi era algo natural. Mas ei, veja como sou nobre ao assumir meu papel: Talvez a culpa fosse minha, talvez eu tenha sido cruel. "Ela sofria", eu digo, criando um álibi qualquer, Justificando o golpe de quem nunca soube me querer. Vou seguindo assim, nesse teatro de sombras e farsa, Acreditando na mentira que o meu próprio peito traça. É o meu escudo, meu modo covarde de não ver ninguém partir, Pois se eu me convencer do engano, não preciso mais sentir. Que a morte me encontre no meio desse labirinto vil, Antes que eu me apegue a outra alma, antes de outro abril. Pois é mais fácil esperar o fim, no frio dessa agonia, Do que admitir que sou o mestre da minha própria hipocrisia.
No pensador.ai desde