Pular para o conteúdo

Frase de Wislawa Szymborska

Depois de toda guerra alguém tem que fazer a faxina. As coisas não vão se ajeitar sozinhas. Alguém tem que tirar o entulho das ruas para que as carroças possam passar com os corpos. Alguém tem que abrir caminho pelo lamaçal e as cinzas, as molas dos sofás, os cacos de vidro, os trapos ensanguentados. Alguém tem que arrastar o poste para levantar a parede, alguém tem que envidraçar a janela, pôr as portas no lugar. Não é fotogênico e leva anos. Todas as câmeras já foram para outra guerra. Precisamos das pontes e das estações de trem de volta. Mangas de camisas ficarão gastas de tanto serem arregaçadas. Alguém de vassoura na mão ainda lembra como foi. Alguém escuta e concorda assentindo com a cabeça ilesa. Mas haverá outros por perto que acharão tudo isso um pouco chato. De vez em quando alguém ainda tem que desenterrar evidências enferrujadas debaixo de um arbusto e arrastá-las até o lixo. Aqueles que sabiam o que foi tudo isso, têm que ceder lugar àqueles que sabem pouco. E menos que pouco. E finalmente aos que não sabem nada. Alguém tem que deitar ali na grama que cobriu as causas e conseqüências, com um matinho entre os dentes e o olhar perdido nas nuvens.

Wislawa Szymborska

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Wislawa Szymborska

As três palavras mais estranhas Quando pronuncio a palavra Futuro, a primeira sílaba já pertence ao passado.
Continuar lendo

As três palavras mais estranhas Quando pronuncio a palavra Futuro, a primeira sílaba já pertence ao passado. Quando pronuncio a palavra Silêncio, destruo-o. Quando pronuncio a palavra Nada, crio algo que não cabe em nenhum não-ser.

alguns - ou seja nem todos. nem mesmo a maioria de todos, mas a minoria.
Continuar lendo

alguns - ou seja nem todos. nem mesmo a maioria de todos, mas a minoria. sem contar a escola onde é obrigatório e os próprios poetas seriam talvez uns dois em mil. gostam - mas também se gosta de canja de galinha, gosta-se de galanteios e da cor azul, gosta-se de um xale velho, gosta-se de fazer o que se tem vontade gosta-se de afagar um cão. de poesia - mas o que é isso, poesia. muita resposta vaga já foi dada a essa pergunta. pois eu não sei e não sei e me agarro a isso como a uma tábua de salvação.