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Frase de André Zanata

Sobrevivor Resignado Minhas dores, outrora, eram donas de mim, Tempestades noturnas de um fim sem princípio, Eram versos truncados, amargos, a rimar Com o silêncio fundo que o peito pode adotar. Mas a vida, tecelã de destinos sutis, Com seus fios de prata, cospe e descospe cicatrizes, E ensinou a esta alma, tão cheia de ardores, A sábia, quieta arte da resignação das dores. Não as arranquei com força, nem as joguei ao mar, — pois o mar um dia as devolveria à areia fria do meu pensar. Deixei que se finissem, como deixa a árvore a folha: num lento morrer dourado, que já não pede dó. Foram-se como a neblina que o sol da manhã consome, Como notas distantes de uma canção que não se nome. Já não são ferida aberta, nem punhal, nem espinho, São apenas lembranças de um antigo caminho. Hoje, olho para trás e vejo o que ficou: não a sombra da falta, mas a luz do que curou. E na paz resignada que a saudade não corrói, Sou mais forte pelo que deixei de ser, e por aquilo que não sou. E assim sigo, leve, embora marcado pela sorte, Com as dores resignadas à sua própria morte. Elas não ditam mais o rumo, não definem mais o amor, São apenas o passado… e eu, o sobrevivor.

André Zanata

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Pensador.com

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Buracos no Silêncio (Homenagem a Tanaru — o Índio do Buraco Verso 1 No ventre da selva, onde o vento é rei Um homem caminha sem ninguém na lei Tem buracos na terra e um sol na mão E um povo perdido na escuridão Verso 2 Ele fala com as folhas, conversa com o chão O rio responde na mesma canção Cada passo que dá é um livro fechado Cada noite que vem é um sonho enterrado Refrão Oh, Tanaru, ninguém te viu partir Mas a floresta ainda sabe ouvir O som do arco, a sombra no mato O tempo passando num passo exato Verso 3 As estrelas vigiam, mas não dizem por quê A lua lhe mostra o que o mundo não vê E a terra é o templo, e o templo é você Guardando segredos que não vão morrer Ponte Um dia os homens virão, sem saber do lugar Vão pisar no silêncio sem se perguntar Quem era o último a dançar com o vento E a deixar seu nome no esquecimento Refrão final Oh, Tanaru, teu rastro ficou Na veia da selva que nunca secou E enquanto houver folha caindo no chão Teu canto ressoa na mesma canção