Frase de Eduardo Chiarini
O ente estranho Estava eu de frente para um estranho ente, não tinha rosto, não tinha olhos, nem nariz; nem orelhas, nem cabeça nem nada, mas tinha boca e tinha dentes. Eram dentes fluorescentes, feito pingentes, que as meninas usam nas boates quentes. Perguntei-lhe, reunindo coragem, foste tu amizade? Ele não me respondeu, disse, em um gemido, algo incompreensível, alguma coisa como: “mais um preto morto, no pais dos pretos, e ninguém liga, nem grita”. Percebi que estava diante da impunidade, da maldade, cruel, crueldade, sem rosto, sem nome, sem idade.
No pensador.ai desde