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Frase de André Luiz Zanata

Depois do Desligamento Trabalhei onde tudo passava e nada ficava. Caixas subiam mais alto que a memória, nomes pesavam mais que o corpo, e eu seguia porque seguir era o combinado. Corri atrás do que me levava, mas o caminhão não freia para quem chama pelo próprio nome. Um fio me segurou pelo costume. O choque não queria me matar, queria que eu continuasse ligado. Uma criança perguntou o que só o medo pergunta: — você ainda está vivo? Saí. Com a mão que sobrou. Caí onde a imagem nasce, madeira crua, fachada antes da fachada. Dói menos quando não é verniz. Teias tentaram me convencer, baratas me ensinaram a ficar. Um amigo não explicou nada, só puxou o que me prendia. No chão, alimento. Alguém pegou. O mundo seguiu sem minha supervisão. Larguei o que não era meu, inclusive a pressa, inclusive a dívida invisível. Fiquei com as marcas, porque elas sabem onde parar. E entendi, tarde e em paz: não é cair que machuca, é insistir em segurar o que já partiu.

André Luiz Zanata

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Pensador.com

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Ecos do deserto No silêncio que engole a madrugada, Sento-me ante o vazio das palavras,
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Ecos do deserto No silêncio que engole a madrugada, Sento-me ante o vazio das palavras, Cada letra, um eco de minha nada, Cada verso, uma sombra que não se lavra. O vento atravessa minha mente seca, Rasga lembranças, assombra memórias, E cada rima que em vão se mece, É um espectro a percorrer meus labirintos sombrios. A pena treme, temendo a reprovação, Do poeta que habita meu próprio peito; Seus olhos de carvão queimam a criação, Transformam sonho em pó, e esperança em leito. Oh, tormento de moldar o intangível, De buscar a luz no deserto da mente! A inspiração foge, cruel e incrível, E a dor do não-criado é eternamente presente. Assim navego, entre dor e vazio, Escravo do eco de minhas próprias exigências; Cada linha que nasce é um desafio frio, Cada verso, um lamento de minhas inconsistências. E se um dia a poesia me libertar, Que seja na aridez que aprendi a sofrer; Pois só quem se perde no próprio olhar Sabe a dor de escrever e jamais se ver.

Trono de areia Dizem que um homem ergueu torres de vento, coroou-se com ouro que cega o próprio sol,
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Trono de areia Dizem que um homem ergueu torres de vento, coroou-se com ouro que cega o próprio sol, e acreditou que as marés lhe obedeciam como cães adestrados na praia. Ele marcha sobre desertos férteis, semeando cinzas como se fossem trigo, e chama isso de vitória. Enquanto isso, os rios sussurram em segredo: “a água não bebe mentira, a justiça sempre chega até o mar.” O céu, paciente, ri em trovões contidos, porque sabe que nenhuma coroa de barro sobrevive ao sopro que molda tempestades. Ele, vaidoso, conversa com seu reflexo, e o espelho, cansado, quebra-se em silêncio. As estrelas, de tão antigas, olham para sua altivez como se fosse brinquedo de criança distraída. Pois quem pensa mover o mundo com os punhos fechados, acaba esmagado pela própria sombra. E no tribunal secreto das montanhas, onde a neve é juíza e o tempo é escriba, ficará registrado: nenhum homem jamais dançou acima da Verdade, pois a Criação não se curva a quem acredita ser maior que o Criador.

Pensador do UOL No silêncio que a tela guarda, uma palavra ousa nascer,
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Pensador do UOL No silêncio que a tela guarda, uma palavra ousa nascer, pequena chama que arde, na mente pronta a escrever. Pensar é abrir clareiras, num mundo turvo, sem chão, é fazer das ideias bandeiras, na luta serena da razão. Entre versos, dúvidas, ecos, o pensamento se faz farol, guiando os olhos perplexos, do leitor que busca o sol. Não há pressa, nem vaidade, apenas o sopro essencial: refletir é semear verdades no campo vasto e digital.

Para todas as solidões Cada solidão tem um rosto invisível. A solidão que acompanha no quarto fechado.
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Para todas as solidões Cada solidão tem um rosto invisível. A solidão que acompanha no quarto fechado. A solidão que se sente no meio da rua cheia. A solidão que se escolhe como quem veste um abrigo. Há solidões que são faca, outras são travesseiro. Algumas esmagam, outras sustentam. Existe a solidão dos que esperam e a solidão dos que já desistiram. A solidão dos que amam demais e a solidão dos que nunca foram amados. Todas caminham juntas, ainda que cada uma insista em se acreditar única. E talvez, no fundo, seja isso que nos torna humanos: carregar em silêncio o peso de todas as solidões que não tem nome.