Frase de André Luiz Zanata
Ecos do deserto No silêncio que engole a madrugada, Sento-me ante o vazio das palavras, Cada letra, um eco de minha nada, Cada verso, uma sombra que não se lavra. O vento atravessa minha mente seca, Rasga lembranças, assombra memórias, E cada rima que em vão se mece, É um espectro a percorrer meus labirintos sombrios. A pena treme, temendo a reprovação, Do poeta que habita meu próprio peito; Seus olhos de carvão queimam a criação, Transformam sonho em pó, e esperança em leito. Oh, tormento de moldar o intangível, De buscar a luz no deserto da mente! A inspiração foge, cruel e incrível, E a dor do não-criado é eternamente presente. Assim navego, entre dor e vazio, Escravo do eco de minhas próprias exigências; Cada linha que nasce é um desafio frio, Cada verso, um lamento de minhas inconsistências. E se um dia a poesia me libertar, Que seja na aridez que aprendi a sofrer; Pois só quem se perde no próprio olhar Sabe a dor de escrever e jamais se ver.
No pensador.ai desde