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Frase de NFJ

⁠Viver à Pressa Flor que nasce na primavera, Olho para ti, pareces tão bela, Cesso o meu passo para te olhar Até à noite te procuro ao luar. Flor que ignora as garras do tempo, A hora não passa enquanto contemplo A cor que não te envergonhas de ser, Até quando o mundo não te está a ver. Flor que só vive do sol e da chuva, Ouves tudo o que o vento murmura E guardas segredo como se tua voz fosse, Em estranha humildade que me sabe tão doce. Flor que aos meus olhos perdidos é pedra, Já não és novidade que o meu olhar espera, Mas continuas sorrindo na sábia certeza: Não é do olho que olha a tua beleza. Flor que me observa enquanto eu passo, Os meus olhos para ti já não têm espaço, Inebriados bebem do que não interessa, Não sabem sentir porque sentem com pressa. Flor que está ao longe acredita em mim, Um dia terei força para voltar ao jardim E perceber que mais vale cessar o meu passo Que caminhar errante sem à beleza dar espaço.

NFJ

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Outras frases de NFJ

Não te enganes, a beleza é simples... Não vive da imagem que finge Nem finge a imagem que deixou de ser.
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Não te enganes, a beleza é simples... Não vive da imagem que finge Nem finge a imagem que deixou de ser. Não calcula fria na prisão do hoje, Liberta-se no que foi e sem querer será, Se construída é nada, se espontânea és tu. Não é palavra pensada que se solta falsa, Nem caminho estudado que te leva ao nada, É humilde olhar que sem amarras surge. Beleza é verdade, indomável e pura... Se veste máscara deixa de saber ser, É suave brisa que surge espontânea e cessa na parede que teimas erguer!

⁠O Soldado Soldado em tempo de paz, inútil, Ganha dinheiro por existir
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⁠O Soldado Soldado em tempo de paz, inútil, Ganha dinheiro por existir E nada faz senão sorrir, Pois da sua missão não sai produto. Soldado em tempo de paz, sanguessuga, Enquanto os outros estão a trabalhar Ele passa o dia a brincar Com arma na mão, a correr no campo. Soldado em tempo de paz, invisível, Não dormiu hoje, porque será? Não aparece há um mês, onde estará? Foi para o estrangeiro passear, só pode ser! Soldado em tempo de paz, ignorante, Passou o dia sem comer, só porque sim, Desfaleceu quando corria ao calor, enfim, Porque recebe tanto se tão pouco dá... Explode bomba, o país treme, O que será que aconteceu? A cidade quebrou, a vida perdeu, Fujo com medo, mas lá vem o soldado... Soldado em tempo de guerra, lutou, Tão bravo que é, no entanto morreu, Enorme que foi, por ele aqui estou eu, Tão pouco lhe deram, o pobre coitado. Soldado em tempo de guerra, valente, Aguentou sem comer, não viu a cama, Corre ao sol, alguém o chama, Salvou mais alguém, é um herói! Ganhamos a guerra, voltou a paz, Poucos soldados que eram, deveriam ser mais, Tudo o que lhes ofereçam não é demais, Enfrentaram a morte e a minha família viveu. Soldado em tempo de paz, incómodo, Atira-se para o chão quando estoura um balão, Não se dá com ninguém, vive na solidão, Mudo de lado na rua para não ter que o ver. Soldado em tempo de paz, esquecido Já tinha ele saudades de quando era inútil, Passava o tempo a treinar, para um dia ser útil E só sabia sorrir, junto aos camaradas agora caídos. Soldado em tempo de paz, são tantos, Acabem com eles, não servem para nada, Passam os dias em pé na parada E marcham para o treino, a brincar com a arma. Soldado inútil, sanguessuga, ignorante... Finge o soldado que nada está a ouvir Para o seu país continuar a servir E dar a vida pela sua pátria, como jurou fazer.

⁠O Medo e a Certeza Se tens medo, avança... Medo é passo firme que molda a tua estrada,
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⁠O Medo e a Certeza Se tens medo, avança... Medo é passo firme que molda a tua estrada, É gume dos sentidos que golpeia a turbidez da visão, É constante questão que quer cortar a escuridão. Se tens certeza, recua... Certeza é ausência que se pensa repleta, É pergunta altiva que não tem humildade para se colocar, É escondida escuridão que está vestida de luar. Não tenhas medo do medo, pois este é músculo que te faz crescer, Não tenhas certeza da certeza, pois esta é nervo que te faz quebrar.

⁠O Ruir do Tempo Toca o tiquetaque do relógio, No tique ignoro o tempo,
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⁠O Ruir do Tempo Toca o tiquetaque do relógio, No tique ignoro o tempo, No taque pergunto porquê. Segue o segundo do sonho, Enquanto segue eu sorrio, No segundo seguinte esqueço. Vai a minha voz ao vento, Quando ela vai eu acredito, Até o vento parar em ninguém. Rui o ruído ao romper do passo, No romper aspira ser pegada, No silêncio rui até ser nada. Toca o tiquetaque do relógio, Empurra o sonho mais um segundo, Com uma voz mera brisa no tempo E um passo onde só o silêncio passa.