Frase de Ramon Pestana
Poema incognótico Em versos personifico Pois só em versos monto-me ao ufânico Em estrofes clamo Pois só nelas confronto-me ao aspirar São através das linhas transcorridas... Que me permito cravejar pelo que buscar Que me permito traduzir noutro patamar Nessas linhas mais que transcorridas, gestadas. Ainda para além a ser, sentidas em alvitre. Trazem em abertos fissuras, que dormiam logo a foz. Fazem em retumba ecúleos. Nascem e infecundam, todo campo espaço até longe vista. Por ser verso, reclusa. Palavra agrupada, danifica. Por discursar em proposição-emoção, universaliza. Tendem a abrigar-me ambigüidades. Tendem a encobrir-me no manifesto irracional. Lançam a sentir-me presente num solo nunca antes habitado. E, por conseqüência, já não mais chego ao meu encontro. O que é visto, é tido, o obscuro fundo. Cada vez, ao fundo, afundo. Jorra-se então de toda minha lírica um marejar. Corre, foge, o tracejo da selva. (evito!) Quando não mais o percebo: Fundiu-se por gênese n’alma. Também só, minha adjacente [o que deveria ser parte simbiótica.. Volto ao escrever Por não ser um risco, rabisco... Ou um gerundiar cursante; um particípio dissipado; Eis um eternicídio submerso. É eterno, posto que é vício. É suicídio, posto que a morte é alternância. Submerso, poucos apreciam, menos ainda, o sente. Não mais se desinencia Salta, imensuriza. Escrever é jogar-se ao vulnerável. É molhar-se de eu’s é fazer do fônico-versado sinfonia apoteótica Entrar em contato com o impalpável Com o que não se vê, nem existe. Com o que não se tem, tudo permite. É se constituir e se ler de si, para si, em si. É, sobretudo, invadir o sítio de interseção entre o transcendente e o imanente. Implica, inegavelmente, no entrar em órbita, ao encontro mais profundo da perfeição.
No pensador.ai desde