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Frase de Luisa Souza

⁠Daqui 10 anos, se eu te reencontrar… você vai abrir aquele sorriso. Talvez genuíno ou talvez por educação. Aquele sorriso que é seu detalhe mais notável. Aquele sorriso que sempre vinha antes de qualquer palavra, e que me desmontava por inteira. Você vai ser simpático. Gentil. Do mesmo jeito de sempre. E eu vou sorrir de volta. Talvez um pouco sem jeito. Talvez fingindo que esqueci tudo o que vivemos aos 20 anos. É bem possível que a gente se encontre em outra cidade, em outra versão de nós. Você talvez esteja com alguém. Eu certamente também. Com uma família que você não pôde me dar. A conversa vai ser leve, e até superficial. Você vai perguntar se estou bem e eu direi que sim. Perguntarei a mesma coisa e você também dirá a mesma coisa. Talvez falaremos sobre o trabalho, o clima, o lugar. Sobre qualquer coisa, menos de nós. As perguntas que eu gostaria de fazer não serão feitas. "Você lembra de mim às vezes? Você também se pergunta como teria sido? Você sabe o quanto eu era apaixonada por você? O que você sentiu quando me viu agora?" Não. Essas talvez eu nunca vá fazer. E então vai haver um silêncio. Como se o assunto tivesse acabado, como se estivéssemos medindo as palavras. O tipo de silêncio que só acontece entre duas pessoas que têm muita coisa pra dizer no fim das contas. Você vai olhar em volta, como quem procura uma desculpa pra encerrar. Eu vou ajeitar o cabelo, a alça da bolsa no ombro ou até mesmo a minha aliança, só pra fazer algo com as mãos que certamente estarão ansiosas. Talvez você diga que precisa ir. Talvez eu diga que preciso voltar. Nenhum de nós querendo realmente sair dali, mas os dois sabendo que ficar também não mudaria nada. E lentamente nos afastaremos, provavelmente com um “foi bom te ver” e um sorriso ensaiado. Você irá voltar pro seu apartamento, que fica próximo ao trabalho que você sempre quis. Eu irei voltar pra casa, começar a preparar o jantar das crianças e do marido. E quando todos estiverem dormindo (menos nós), talvez a gente pense no nosso encontro de mais cedo. E se por dentro esse pensamento me bagunçar de novo, ninguém vai saber. Principalmente você. Esse será um segredo que levarei comigo. Afinal, algumas histórias não conseguem apagar as marcas que deixaram. A vida só cresce em volta delas.

Luisa Souza

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Luisa Souza

⁠Eu te amei. De um jeito bonito, intenso e quase ingênuo. Havia entre nós uma sintonia que não se explicava.
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⁠Eu te amei. De um jeito bonito, intenso e quase ingênuo. Havia entre nós uma sintonia que não se explicava. Você lia tudo em mim, e eu amava o fato de nunca adivinhar seus gestos. A forma em que eu sempre era surpreendida por você. E ainda lembro da noite em que você apareceu a pé, na madrugada, só pra me entregar uma carta. Sua coragem de caminhar quilômetros pra me entregar papéis com juras de amor. Como se o amor tivesse pressa. Tanta pressa que apressadamente tudo acabou. E mesmo assim, você foi embora. Me trocou como quem muda de estação. Sem aviso, sem tempo de procurar o moletom (aquele moletom). Anos depois, você voltou. Com histórias, saudade e um pedido de perdão. Quase me fez acreditar que o tempo podia curar tudo. Mas você nunca soube permanecer. É seu jeito de ser, ser inconstante demais. Você sempre foi feito de vento. Chegava forte, bagunçava tudo, e depois partia sem nem olhar a confusão que deixou. Você só sabe amar pela metade. E não foi só comigo. Passou pela vida das pessoas como quem experimenta amores, mas nunca mergulha neles. Tentativas frustradas de preencher um vazio que acho que nem você entende. Você coleciona histórias, mas nunca construiu nenhuma. Um dia, quem sabe, você perceba o que desperdiçou. Mas já vai ser tarde. Na verdade, já é tarde. Porque eu estarei ocupada vivendo tudo que você nunca me proporcionou, ao lado de quem soube me escolher, e, principalmente, me manter.

Te admiro em silêncio, como quem observa o sol. Quente demais pra tocar,
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Te admiro em silêncio, como quem observa o sol. Quente demais pra tocar, intenso demais pra ignorar: Tem algo em ti que não se explica. A calma e precisão nas palavras, uma inteligência que não passa despercebida e o jeito de dominar tudo, com o domínio de quem é bom no que faz. Mas o que me balança não é só o que vejo. É o que você diz. Com palavras tão explícitas quanto belas. Com elogios que dançam entre o indevido e o incontrolável. Você me descreve como se me tivesse. Como se realmente me quisesse tanto assim. Você cruzaria a linha, eu sei. E não é suposição. Foi dito, com todas as letras, com aquele seu jeito poético e perigoso. Você me vê como seu desejo antigo e proibido, e me olha esquematizando na sua cabeça tudo aquilo que você queria fazer comigo. Tudo aquilo que você me disse. Mas eu não posso. Mesmo querendo. Mesmo sonhando. Mesmo sentindo cada célula do meu corpo implorar por você. E sempre que te vejo de novo, na rotina, no comum, parece inacreditável lembrar das coisas que você me disse. Mas o jeito que você me olha, me sussurram verdades, e faz impossível duvidar do que foi dito. Não controlo a tensão que você traz quando entra no mesmo lugar. Seus olhos buscam os meus, fundo no fundo, e eu sei que você percebe quando eu percebo. Na verdade, acho que alguns ao redor já percebem isso. Você não esconde que repara em mim, e isso deixa tudo mais difícil de fingir. E entre o calor do momento e a clareza do depois, não vou deixar minha admiração por você confundir minha cabeça, nem permitir que isso vá longe demais. Sei onde começa o desejo, e onde termina o respeito que devo a mim (e você a ela).

⁠Que inesperado foi te conhecer. E imediatamente me reconhecer em você. A verdade é que eu jamais pensei nisso.
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⁠Que inesperado foi te conhecer. E imediatamente me reconhecer em você. A verdade é que eu jamais pensei nisso. Não planejei, não esperava. Mas agora tô aqui, te respondendo do bom dia ao boa noite e achando tudo isso… curioso. Tem momentos que eu releio nossas conversas. Outros, só fico lembrando das suas respostas mais engraçadas. E das suas gentilezas. E às vezes me pego sorrindo sozinha, como se tivesse alguma coisa acontecendo, mesmo sem a gente entender direito. Na verdade eu queria saber se tudo em você é verdade, ou se é só mais um daqueles discursos prontos que eu já ouvi com outros nomes e outros rostos. Um deles inclusive lembra o seu. De qualquer forma, te ver foi rápido, mas ficou. A troca de olhares me marcou mais do que eu imaginava. Não sei até onde vai, e tem uma parte de mim que ainda teme que algo atrapalhe. Algum resquício de passado, algum clima chato. Mas a outra parte de mim prefere nem pensar nisso agora. Porque, por enquanto, só tem sido bom. Não há mais certos segredos escondidos entre nós. A verdade é que eu tô gostando de te conhecer devagar, de rir com você, de ouvir certas músicas e lembrar das nossas conversas. Eu penso como será quando estivermos perto. O teu abraço, teu cheiro, tua voz. Fico imaginando o toque das tuas mãos, e até como será o teu beijo. Se tudo isso que existe ou parece existir entre a gente vai mesmo fazer sentido quando acontecer. É cedo pra qualquer certeza, mas sei que ainda é só começo da história.

⁠A gente se viu de novo, troca de olhares, toque, beijo. Tudo tão igual, e ao mesmo tempo, tão diferente.
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⁠A gente se viu de novo, troca de olhares, toque, beijo. Tudo tão igual, e ao mesmo tempo, tão diferente. Você disse que sentia minha falta, quis ouvir isso da minha boca, mas eu não sabia o que dizer. Não por não sentir nada, mas porque o que eu sentia já não era o mesmo. Você falou de recomeçar, de nos conhecermos mais, mas o tempo já fez seu trabalho, e algumas feridas já querem se cicatrizar. Não sei se eu não te quero mais, mas sei que não te espero mais do mesmo jeito. A gente sempre foi isso, né? Dois corpos que se encontram nas festas, trocam olhares, se perdem em beijos, mas nunca se encontram de verdade. Não quero ser só uma vontade passageira. Quero algo que faça sentido, que construa, que dure. E a gente não tem isso. A gente já sabe como essa história termina. Não é diferente de tantas outras noites: beijos que vêm e vão, palavras que ficam pela metade, promessas que nunca foram cumpridas. É hora de ir embora. De fechar a porta que ficou aberta pra você só por costume. Ou expectativa. Eu não quero mais ficar presa ao que nunca vamos ser. Não quero mais ser sombra de um sonho que nunca se tornou realidade. E hoje foi a última vez que você me levou embora pra casa. A última vez que a gente saiu da festa juntos. A última vez que eu me permiti acreditar que, depois do nosso encontro, viria algo a mais do que o vazio que a gente sempre deixou. E por mais que o nosso beijo tenha sido intenso (como sempre), ele não apagou a certeza silenciosa que cresce aqui dentro: a gente não é pra ser. Você não é mais meu sonho, nem esperança, nem vontade. É só história, com um capítulo que eu preciso fechar, pra poder escrever outros que façam sentido, que me façam bem. A minha história com final feliz que eu sei que mereço ter. Tudo o que eu sentia, você já soube. Tudo o que doeu, já doeu. Tudo o que podia ser, já não pode ser mais. Você me ensinou muito, até mesmo o momento certo de ir embora. E acho que é agora. Agora finalmente eu vou viver. Sem peso, sem passado, sem você.