Frase de Bia Pardini
Sonho final Um dia, num sonho, ele caminhava tristonho, seguia o curso, ele que mal dormia, o percurso era uma oração. No seu confortável leito, em acomodação sempre desfeito, as dores eram trejeitos e incomodação. O sono, cada vez mais raro, em abandono era-lhe caro quando chegava. Noites de insônia ele fazia poesia, sem cerimônia a lua o espiava e o inspirava. Dores, tremores, poemas com lema pessimista, mesmo assim um artista cujas lágrimas borravam as páginas, mas lavavam sua alma. E orava. Na calma pedia aos santos que constavam da sua lista de protetores, anjos provedores, a conquista da salvação. Em vão! Então, no seu monólogo da noite, mendigava perdão, lembrava dos tempos passados, ventos a favor, agora credor de diálogos atrasados. Deus, como ele amava sua família, a vigília a amigos em perigos e tinha compaixão de irmãos que sofriam. Mas a oração ouvida, sentida, não olvida, concedeu-lhe a compensação do prazer, ao seu fraco colo, no opaco solo, o nascer de sua continuidade e um final com dignidade. (Bia Pardini)
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