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Frase de Professor Luís Alberto Ferreira

⁠O QUE CEROL DE NÓS? Eu, menino, mirinzinho ainda, voinha me levou para conhecer o Rio de Janeiro. A gente ficou no bairro de Duque de Caxias, na casa de uma amiga dela, D. Arcanja, que aliás fazia jus ao nome (e sobre quem no futuro contarei algo). Ocorre que fiquei na frente da casa vendo os meninos empinarem arraias naquela rua de barro. De repente, um monte de carioquinha veio correndo em minha direção, e - súbito - uma pipa caiu no meu colo. Tentaram tomar de mim. Aí segurei a arraia com cara de medo e gritei: - Oxe, oxe, oxe, oxe! Nada! É minha!!! Aí um deles falou: - Vc é baiano? - Sou! - Oi! Eu sou Arimam! - Luís. - A gente vai te liberar, baiano, mas vc vai ter que empinar essa arraia! Nos dias seguintes, fiquei vendo os meninos temperando a linha - o cerol - para a batalha aérea que aconteceria no dia outro. Era fascinante ver a algazarra mitológica que a gurizada empolgada fazia. E, quando uma linha era cortada, pequenos troianos fluminenses corriam para ver quem pegava o prêmio. Uma espécie de alegre agressividade coloria o evento... Rsrsrs Eu não tinha linha nem aprendi a receita do tal cerol. Mal sabia empinar, a não ser o meu nariz, como blefe de valentia (rsrsrs). Então, numa atitude criativa e desesperada (às vezes o desespero é um start para a criatividade...), fui catando um monte de resto de linha velha que via pelo caminho, fui remendando uma na outra e fiz o meu carretel "frankenstein". Na véspera do retorno à minha Bahia, fiz a arraia ganhar o espaço com as linhas de bagaço. Arimam já era o meu melhor amigo e me orientava no combate espacial. - Vai, baiano! Vai, baiano! Puxa! Solta! Vai!!! Os outros davam risada, pois entendiam que linha remendada, velha, usada, desgastada não garante nada. Eles entenderam errado... Consegui cortar a arraia dos meninos da outra rua! Fui carregado como herói da meninada! No dia seguinte, a despedida... Ia chover, mas Arimam desenhou um sol no meio da rua de barro... As nuvens respeitaram a majestade solar... Todos fizeram uma vaquinha e compraram geladinho com broa de milho. Foi uma das melhores festas da minha vida. Voltei à minha Bahia com a minha voinha. Isso aconteceu há 39 anos... Hj não mais menino, lembro essa história e percebo que minha vida é um carretel de linhas remendadas cuja arraia ainda está no céu... Ainda está no céu... Sobre o que virá depois? Não sei mais nada. A única certeza é que, embora forte e imprevisível, chegará a hora em que a linha será cortada... E eu correrei em alguma rua do infinito da memória com a meninada. Obrigado, Arimam!

Professor Luís Alberto Ferreira

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Professor Luís Alberto Ferreira

⁠MOVER.COM.BR Comover-se com o outro sem se mover com ele é o paradoxo da atualidade. Essa semana foi engraçada. Devo compartilhar com vcs mesmo sabendo da possível reprovação a cuja falácia estarei exposto.
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⁠MOVER.COM.BR Comover-se com o outro sem se mover com ele é o paradoxo da atualidade. Essa semana foi engraçada. Devo compartilhar com vcs mesmo sabendo da possível reprovação a cuja falácia estarei exposto. Em um grupo do Whatsapp, mais de seis vídeos com mensagem de amor ao próximo foram postados, e a maioria elogiava e discorria sobre a importância da solidariedade. Vendo tantos corações dispostos, aproveitei e postei um card sobre uma campanha para ajudar o povo mais carente do Sertão. Pasmem! Ninguém comentou nada. Vcs entenderam? As pessoas se COMOVEM, mas não se MOVEM COM. Só entre os anos de 2010 e 2017, 25 igrejas foram abertas por dia no Brasil num total de 67.951 novos registros. Quem disse isso? São dados da Receita Federal. Falar de Deus comove, mas muitos ainda não se MOVEM. Até 2016, nosso país contava com 237 mil ONGs! Quem me contou não foi o vizinho, mas um tal de IBGE. Onde estão os voluntários? Só se COMOVEM? Eu observo se falar tanto de EMPATIA, ALTRUÍSMO, RESILIÊNCIA, SUPERAÇÃO, AMOR AO PRÓXIMO, SOLIDARIEDADE, mas parece tudo caviar, como na música: "Vc sabe o que é caviar? Nunca vi, nem comi, eu só ouço falar..." Queria que esses sentimentos a respeito de que tanto falam fossem tratados como o pão de Cristo... Mesmo pouco, estaríamos verdadeiramente alimentados. Comover e mover com. Porque aí está Deus. Pois aí habita a verdadeira humanidade. Obrigado por ler até aqui.

⁠SIGA E SEJA SEGUIDO (ou: tá aí o segredo da vida) Siga
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⁠SIGA E SEJA SEGUIDO (ou: tá aí o segredo da vida) Siga Persiga Consiga Mas entenda o que as palavras dizem: Siga. Não pare. Persiga. O prefixo “per-“ significa “mais”. Siga mais ainda. Consiga. O prefixo “con” significa “junto”. Não dá para seguir sozinho. Exercite o que as palavras dizem! Consiga Persiga Siga

⁠VOU-ME EMBORA PRA ONDE?... Quem você pensa que é, o que você tem e o que você representa no teatro da vida??? Schopenhauer foi um cara muito louco!
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⁠VOU-ME EMBORA PRA ONDE?... Quem você pensa que é, o que você tem e o que você representa no teatro da vida??? Schopenhauer foi um cara muito louco! Esse filósofo alemão, altamente ateu e ético, em seu pessimismo filosófico, apesar dessa existência incrédula, introduziu o pensamento indiano e alguns conceitos de Buda acerca da questão metafísica. Para Schopenhauer a vida humana se dividia em 3 condições básicas: O que se é; O que se tem; O que se representa para os outros. E aí está o grande fundamento da existência: Neo não era Thomas A. Anderson. Mr. Anderson, portanto, era apenas uma representação social. E o que ele tinha? Um bom emprego como programador numa grande empresa de software e uma razoável condição social. E o que ele (achava que) era? NEO, um hacker no mundo digital. Mas, na verdade, nem isso ele era. Na verdade, embora tivesse uma intuição de que “há algo errado com o mundo”, ele era um indigente de si mesmo. Essa realidade(?) muda quando ele conhece a Matrix e passa a viver em um outro plano que seria o real. Seria mesmo? Quanta loucura não é, meus amigos? A trilogia de Matrix talvez seja a coleção fílmica mais repleta de “apertação de mente” que você já viu. Os criadores dessa obra-prima que eram irmãos e depois redefiniram suas identidades e agora são as irmãs Wachowski carregam uma bagagem intelectual fora do comum. Passeiam por vários campos do saber e da cultura. Neste texto, vou mostrar um monte de referência bíblica que, se não fossem as outras referências, Matrix seria um filme gospel... Em Matrix 1: - Thomas (nome representativo de Neo) é alusivo a Tomé, o apóstolo do “ver para crer”. - - Um cliente do então hacker Neo diz: “Você é meu Jesus Cristo pessoal”. - Na nave Nabucodonosor há uma inscrição referente ao Evangelho de MARCOS, 3:11 (“Sempre que os espíritos imundos o viam, prostravam-se diante dele e gritavam: ‘Tu és o filho de Deus”). - Fala-se de Zion, onde os humanos se escondem. Zion é o SIÃO, a cidade bíblica do rei Davi. - O agente Smith quando tortura Morpheus leva-nos a crer que existiu um Jardim do Éden ao dizer: “Você sabia que a primeira Matrix foi criada para ser o mundo perfeito onde ninguém sofreria? Onde todos seriam felizes?” - Neo morre em frente a uma porta com a numeração 303. Ao tirar o zero temos a idade em que Cristo foi executado, porém ressuscitou, assim como Neo. E isso logo depois de Trinity suplicar: “Oh, Jesus, não morra!”. - Conforme a prece do Credo diz que Jesus “subiu aos céus”, o filme termina com Neo voando, subindo aos céus. Que loucura, né? Em Matrix Reloaded e Matrix Revolutions, tem muito mais! Dica: em muitas placas de carro, há passagens bíblicas disfarçadas. Por exemplo, em Reloaded, o agente Smith chega em um Audi com a placa IS5416. Ou seja: ISAÍAS, 54:16 (“Eis que eu criei o ferreiro, que assopra as brasas no fogo, e que produz a ferramenta para sua obra; também criei o assolador, para destruir”). Incrível! Pois fique sabendo, ainda, que Smith vem do inglês arcaico “Smithian” e significa “ferreiro, aquele que trabalha com metal”. Já em Revolutions, o carro dirigido pelos gêmeos, loiros com cabelos rastafári, traz na placa a inscrição DE2852. Isto é: DEUTERONÔMIO 28:52 (“E te sitiará em todas as tuas portas, até que em toda a terra venham a cair os teus altos e fortes muros, em que confias, sim, te sitiará em todas as tuas portas, em toda a tua terra que o senhor teu Deus te deu.”) Logo Zion seria destruída! Que tal? Massa, né? Há várias formas de analisar Matrix: pela filosofia, pela história das guerras, pelas fábulas, pela revolução digital, pelo eurocentrismo... Mas a pergunta que não quer calar é: QUEM É VOCÊ? O QUE VOCÊ TEM? E O QUE VOCÊ REPRESENTA PARA A SOCIEDADE?... (Para acabar o texto. Imagine a música de ação de Matrix e se transporte para fora da sua Matrix...)

⁠E VAMOS DESCENDO A LADEIRA... Eu cresci no carnaval. Essa festa me proporcionou alegrias imensas.
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⁠E VAMOS DESCENDO A LADEIRA... Eu cresci no carnaval. Essa festa me proporcionou alegrias imensas. Com o tempo, compreendi o mega-hiato social que existe nesse festejo popular. Negros como cordeiros a puxar as cordas dos blocos com expressiva maioria branca. Era a transmutação de escravizados nos navios negreiros nos mares do tempo. Os do bloco - que podem pagar - acessam livremente as ruas e as calçadas. O povo-pipoca só pipocava nas calçadas espremido pela repressão econômica. Nos camarotes, réplicas de patrícios e patrícias do império romano desfilavam sua beleza segregadora. Os catadores de recicláveis garantiam, numa agilidade grotesca e fantástica, a limpeza do excesso de fantasias etílicas. Sim, foliões, o carnaval termometra nossa visão condicionada que atesta as desigualdades sociais e outros tipos excludentes. Os blocos afros desfilando às madrugadas, já longe dos holofotes preguiçosos da conveniência monetário-midiática. E é difícil entender Gerônimo cantando "Eu sou negão!", Daniela cantando "A cor dessa cidade sou eu!!", Saulo cantando "Salvador, Bahia, território africano...". E a "Negalora" da Claudinha Leitte? Aqui não tem preto para ativar seu lugar de canto, não? As letras marcantes do carnaval baiano devem muito à cultura afro-baiana. Com o tempo, conforme dissera, fui notando essas contradições as quais são exibidas a partir de uma naturalidade quase pétrea. Pegaram uma negra do cabelo crespo e alegaram que ela não gosta de se pentear (será que ela não curte escova e luzes, para se parecer com a sua desidentidade?) , por isso, na Baixa do Tubo, considerado bairro de pequeno poder aquisitivo, ela será humilhada. Vão passar batom na boca da vítima, porque é comum ridicularizar o preto (muitos memes fazem isso e são compartilhados "de boamente"). Mesmo com tudo isso, o povo, que "não sabe que não sabe", quer viver o carnaval. É um momento de escape, de fuga da realidade, de fantasiar-se. Dopamina, ocitocina, serotonina e endorfina explodem nos circuitos. Muitos recarregam o seu emocional nesse momento de subversão autorizado pelo Estado. Seja na tradição do frevo pernambucano, na explosão temático-tecnológica do carnaval fluminense ou nas multidões axé-musicalizadas em sudorese contínua na Bahia, uma parte significativa do país ama o reinado fugaz de Momo. Dinheiro envolvido? muito. Demais. São bilhões de reais em lucratividade. Mas esse dindin o povo nunca viu a cor. Apesar de tanto, o povo aceita a alegria da loucura autorizada, decretada pelo sistema regulador das nossas vidas. É uma pena que não haja similar empenho de sociedade e governo para evolucionar a educação do nosso povo, em prol de um carnaval mais equânime, mais justo, mais acessível socialmente falando. Infelizmente isso é uma utopia, uma quimera... Em função de uma pandemia altamente contagiosa e letal, não haverá carnaval. A festa não acabou, porque sequer começou. Vamos aproveitar, dessarte, para pensar no folião mais importante (você), no trio elétrico mais possante (o amor, o trabalho digno e o conhecimento) no bloco mais "estourado" do carnaval: O bloco da VIDA!!! Ao ritmo da percussão em nosso peito! E VAMOS SUBINDO A LADEIRA!