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Frase de Professor Luís Alberto Ferreira

⁠E VAMOS DESCENDO A LADEIRA... Eu cresci no carnaval. Essa festa me proporcionou alegrias imensas. Com o tempo, compreendi o mega-hiato social que existe nesse festejo popular. Negros como cordeiros a puxar as cordas dos blocos com expressiva maioria branca. Era a transmutação de escravizados nos navios negreiros nos mares do tempo. Os do bloco - que podem pagar - acessam livremente as ruas e as calçadas. O povo-pipoca só pipocava nas calçadas espremido pela repressão econômica. Nos camarotes, réplicas de patrícios e patrícias do império romano desfilavam sua beleza segregadora. Os catadores de recicláveis garantiam, numa agilidade grotesca e fantástica, a limpeza do excesso de fantasias etílicas. Sim, foliões, o carnaval termometra nossa visão condicionada que atesta as desigualdades sociais e outros tipos excludentes. Os blocos afros desfilando às madrugadas, já longe dos holofotes preguiçosos da conveniência monetário-midiática. E é difícil entender Gerônimo cantando "Eu sou negão!", Daniela cantando "A cor dessa cidade sou eu!!", Saulo cantando "Salvador, Bahia, território africano...". E a "Negalora" da Claudinha Leitte? Aqui não tem preto para ativar seu lugar de canto, não? As letras marcantes do carnaval baiano devem muito à cultura afro-baiana. Com o tempo, conforme dissera, fui notando essas contradições as quais são exibidas a partir de uma naturalidade quase pétrea. Pegaram uma negra do cabelo crespo e alegaram que ela não gosta de se pentear (será que ela não curte escova e luzes, para se parecer com a sua desidentidade?) , por isso, na Baixa do Tubo, considerado bairro de pequeno poder aquisitivo, ela será humilhada. Vão passar batom na boca da vítima, porque é comum ridicularizar o preto (muitos memes fazem isso e são compartilhados "de boamente"). Mesmo com tudo isso, o povo, que "não sabe que não sabe", quer viver o carnaval. É um momento de escape, de fuga da realidade, de fantasiar-se. Dopamina, ocitocina, serotonina e endorfina explodem nos circuitos. Muitos recarregam o seu emocional nesse momento de subversão autorizado pelo Estado. Seja na tradição do frevo pernambucano, na explosão temático-tecnológica do carnaval fluminense ou nas multidões axé-musicalizadas em sudorese contínua na Bahia, uma parte significativa do país ama o reinado fugaz de Momo. Dinheiro envolvido? muito. Demais. São bilhões de reais em lucratividade. Mas esse dindin o povo nunca viu a cor. Apesar de tanto, o povo aceita a alegria da loucura autorizada, decretada pelo sistema regulador das nossas vidas. É uma pena que não haja similar empenho de sociedade e governo para evolucionar a educação do nosso povo, em prol de um carnaval mais equânime, mais justo, mais acessível socialmente falando. Infelizmente isso é uma utopia, uma quimera... Em função de uma pandemia altamente contagiosa e letal, não haverá carnaval. A festa não acabou, porque sequer começou. Vamos aproveitar, dessarte, para pensar no folião mais importante (você), no trio elétrico mais possante (o amor, o trabalho digno e o conhecimento) no bloco mais "estourado" do carnaval: O bloco da VIDA!!! Ao ritmo da percussão em nosso peito! E VAMOS SUBINDO A LADEIRA!

Professor Luís Alberto Ferreira

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Professor Luís Alberto Ferreira

⁠MOVER.COM.BR Comover-se com o outro sem se mover com ele é o paradoxo da atualidade. Essa semana foi engraçada. Devo compartilhar com vcs mesmo sabendo da possível reprovação a cuja falácia estarei exposto.
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⁠MOVER.COM.BR Comover-se com o outro sem se mover com ele é o paradoxo da atualidade. Essa semana foi engraçada. Devo compartilhar com vcs mesmo sabendo da possível reprovação a cuja falácia estarei exposto. Em um grupo do Whatsapp, mais de seis vídeos com mensagem de amor ao próximo foram postados, e a maioria elogiava e discorria sobre a importância da solidariedade. Vendo tantos corações dispostos, aproveitei e postei um card sobre uma campanha para ajudar o povo mais carente do Sertão. Pasmem! Ninguém comentou nada. Vcs entenderam? As pessoas se COMOVEM, mas não se MOVEM COM. Só entre os anos de 2010 e 2017, 25 igrejas foram abertas por dia no Brasil num total de 67.951 novos registros. Quem disse isso? São dados da Receita Federal. Falar de Deus comove, mas muitos ainda não se MOVEM. Até 2016, nosso país contava com 237 mil ONGs! Quem me contou não foi o vizinho, mas um tal de IBGE. Onde estão os voluntários? Só se COMOVEM? Eu observo se falar tanto de EMPATIA, ALTRUÍSMO, RESILIÊNCIA, SUPERAÇÃO, AMOR AO PRÓXIMO, SOLIDARIEDADE, mas parece tudo caviar, como na música: "Vc sabe o que é caviar? Nunca vi, nem comi, eu só ouço falar..." Queria que esses sentimentos a respeito de que tanto falam fossem tratados como o pão de Cristo... Mesmo pouco, estaríamos verdadeiramente alimentados. Comover e mover com. Porque aí está Deus. Pois aí habita a verdadeira humanidade. Obrigado por ler até aqui.

⁠SIGA E SEJA SEGUIDO (ou: tá aí o segredo da vida) Siga
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⁠SIGA E SEJA SEGUIDO (ou: tá aí o segredo da vida) Siga Persiga Consiga Mas entenda o que as palavras dizem: Siga. Não pare. Persiga. O prefixo “per-“ significa “mais”. Siga mais ainda. Consiga. O prefixo “con” significa “junto”. Não dá para seguir sozinho. Exercite o que as palavras dizem! Consiga Persiga Siga

⁠VOU-ME EMBORA PRA ONDE?... Quem você pensa que é, o que você tem e o que você representa no teatro da vida??? Schopenhauer foi um cara muito louco!
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⁠VOU-ME EMBORA PRA ONDE?... Quem você pensa que é, o que você tem e o que você representa no teatro da vida??? Schopenhauer foi um cara muito louco! Esse filósofo alemão, altamente ateu e ético, em seu pessimismo filosófico, apesar dessa existência incrédula, introduziu o pensamento indiano e alguns conceitos de Buda acerca da questão metafísica. Para Schopenhauer a vida humana se dividia em 3 condições básicas: O que se é; O que se tem; O que se representa para os outros. E aí está o grande fundamento da existência: Neo não era Thomas A. Anderson. Mr. Anderson, portanto, era apenas uma representação social. E o que ele tinha? Um bom emprego como programador numa grande empresa de software e uma razoável condição social. E o que ele (achava que) era? NEO, um hacker no mundo digital. Mas, na verdade, nem isso ele era. Na verdade, embora tivesse uma intuição de que “há algo errado com o mundo”, ele era um indigente de si mesmo. Essa realidade(?) muda quando ele conhece a Matrix e passa a viver em um outro plano que seria o real. Seria mesmo? Quanta loucura não é, meus amigos? A trilogia de Matrix talvez seja a coleção fílmica mais repleta de “apertação de mente” que você já viu. Os criadores dessa obra-prima que eram irmãos e depois redefiniram suas identidades e agora são as irmãs Wachowski carregam uma bagagem intelectual fora do comum. Passeiam por vários campos do saber e da cultura. Neste texto, vou mostrar um monte de referência bíblica que, se não fossem as outras referências, Matrix seria um filme gospel... Em Matrix 1: - Thomas (nome representativo de Neo) é alusivo a Tomé, o apóstolo do “ver para crer”. - - Um cliente do então hacker Neo diz: “Você é meu Jesus Cristo pessoal”. - Na nave Nabucodonosor há uma inscrição referente ao Evangelho de MARCOS, 3:11 (“Sempre que os espíritos imundos o viam, prostravam-se diante dele e gritavam: ‘Tu és o filho de Deus”). - Fala-se de Zion, onde os humanos se escondem. Zion é o SIÃO, a cidade bíblica do rei Davi. - O agente Smith quando tortura Morpheus leva-nos a crer que existiu um Jardim do Éden ao dizer: “Você sabia que a primeira Matrix foi criada para ser o mundo perfeito onde ninguém sofreria? Onde todos seriam felizes?” - Neo morre em frente a uma porta com a numeração 303. Ao tirar o zero temos a idade em que Cristo foi executado, porém ressuscitou, assim como Neo. E isso logo depois de Trinity suplicar: “Oh, Jesus, não morra!”. - Conforme a prece do Credo diz que Jesus “subiu aos céus”, o filme termina com Neo voando, subindo aos céus. Que loucura, né? Em Matrix Reloaded e Matrix Revolutions, tem muito mais! Dica: em muitas placas de carro, há passagens bíblicas disfarçadas. Por exemplo, em Reloaded, o agente Smith chega em um Audi com a placa IS5416. Ou seja: ISAÍAS, 54:16 (“Eis que eu criei o ferreiro, que assopra as brasas no fogo, e que produz a ferramenta para sua obra; também criei o assolador, para destruir”). Incrível! Pois fique sabendo, ainda, que Smith vem do inglês arcaico “Smithian” e significa “ferreiro, aquele que trabalha com metal”. Já em Revolutions, o carro dirigido pelos gêmeos, loiros com cabelos rastafári, traz na placa a inscrição DE2852. Isto é: DEUTERONÔMIO 28:52 (“E te sitiará em todas as tuas portas, até que em toda a terra venham a cair os teus altos e fortes muros, em que confias, sim, te sitiará em todas as tuas portas, em toda a tua terra que o senhor teu Deus te deu.”) Logo Zion seria destruída! Que tal? Massa, né? Há várias formas de analisar Matrix: pela filosofia, pela história das guerras, pelas fábulas, pela revolução digital, pelo eurocentrismo... Mas a pergunta que não quer calar é: QUEM É VOCÊ? O QUE VOCÊ TEM? E O QUE VOCÊ REPRESENTA PARA A SOCIEDADE?... (Para acabar o texto. Imagine a música de ação de Matrix e se transporte para fora da sua Matrix...)

⁠EU DEVIA APRENDER A ME CALAR! Hoje foi um começo. Sofri, mas creio em algum reflexivo resultado inicial. Por mais de cinco vezes, eu percebi que não deixava a minha sócia de existência encerrar um pensamento. Eu acobertava o pensamento dela com o meu. Ela falava. Eu interrompia…
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⁠EU DEVIA APRENDER A ME CALAR! Hoje foi um começo. Sofri, mas creio em algum reflexivo resultado inicial. Por mais de cinco vezes, eu percebi que não deixava a minha sócia de existência encerrar um pensamento. Eu acobertava o pensamento dela com o meu. Ela falava. Eu interrompia. Ela falava; eu interrompia. Ela falava, eu interrompia. Ela falava eu interrompia. Ela falarrompia... O machismo estrutural afeta o nosso psicológico. E isso é forte em mim. Venho enfrentando esse meu comportamento em prol do respeito humano. Eu achava que respeitava bastante, até porque fui “menino criado com vó”, e ela me ensinou a respeitar as mulheres no sentido de assédio e abuso, sexualmente falando. Porém, com o tempo, aprendi que há outros tipos de assédio e abuso. Ao interromper uma linha de raciocínio, estou praticando abuso. Ao me achar mais inteligente em detrimento de outrem, estou praticando assédio. Esses comportamentos são tenebrosos, infelizes e não nos fazem evoluir, pois realizam a manutenção de uma pseudoautoridade e um real autoritarismo de um “status quo” machista. A cultura e as relações com o meio, enquanto linguagem, acabam definindo pontos de vista nocivos, sem que paremos para refletir sobre a coerência dos aprendizados embutidos em nossos campos do conhecimento. Pedrinhas confundem-se com sementes, dado nada vicejar nesses terrenos do discernimento ativo. Apenas aceitamos como verdade e pronto. “E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão.” Isso consta na Bíblia, em 1Tímoteo 2:14. A mulher, pelo que parece, transgrediu, porque foi enganada. Então, se um estelionatário me enganar, eu não sou vítima dele, mas comparsa ou cúmplice na transgressão, na infração, na violação da lei? Em 1Timóteo 2:11-15, “A mulher aprenda em silêncio, com toda a submissão. E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja, porém, em silêncio”. Talvez, em razão de ensinamentos como esse, não tenhamos uma papisa, uma rabina ou uma aiatolá. Ou seja, os líderes máximos das religiões abraâmicas (judaísmo, cristianismo e islamismo) são homens. Vocês podem rebater imediatamente dizendo que tais sentenças são coisas do passado. Mas o que dizer do que ocorreu em fevereiro deste ano (2021), quando Yoshiro Mori, presidente do comitê olímpico de Tóquio, disse que mulheres “têm dificuldades em ser concisas. (...) Se uma levanta a mão (para falar), as outras acham que também devem se expressar. É por isso que todas acabam falando”. Ele ainda deixou claro que o comportamento das mulheres, nesse sentido, era “irritante”. Com essas declarações, Mori recebeu duras críticas veiculadas na mídia. Ele, então, retratou-se e renunciou ao cargo. Agora é ex. Nós, homens, em uma parte expressiva, não nos damos conta do que fazemos com as mulheres quando sem perceber lhe cerceamos a fala e nos colocamos num degrau acima. Aliás, o ato de um homem, de forma desnecessária, interromper a fala de uma mulher tem nome: MANTERRUPTING, neologismo criado pela jornalista Jessica Bennett. Outra situação que passa despercebida ocorre quando uma mulher já explicou algo, e o homem explica de novo, como se ela não tivesse condições de ser clara ou concisa, o que pode criar um embaraço, um mal-estar ou um constrangimento. O nome disso é MANSPLAINING, termo inspirado pela americana Rebecca Solnit. E é isso, gente! Eu preciso terminar aqui, porque – que bom! – a minha amada está me chamando e estou ansioso para ouvir tudo o que ela tem a me dizer. Sem interromper, aprendendo a me calar. Abrir a boca então? Só para amar!