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Frase de Júlia Figueiredo

⁠A lâmpada dimerizada, amarela como a lua abundante, não foi o que cativou você. O meu erro não estava nas taças com o vinho escolhido a dedo. Nem no tapete de algodão losangular que eu despi sua blusa branca. O problema não estava no meu toque suave que percorreu montanhas e vales do seu corpo. Nem no gosto forte que suguei da sua "intensity"... Por horas pensei que o problema era a utopia perfeita que criamos no refúgio frágil das nossas escolhas. Escolhas tão claramente abaláveis… Não, não era a soma das nossas vidas, era particularidade dos nossos casos, dois mundos inteiros se trombando no espaço-tempo mal calculado. Eu avisei! Como eu avisei! Estávamos irremediáveis. Não existe antídoto para a nossa intensidade. Impossível não ser catastrófico. Não éramos corpos (eu avisei), somos almas que se vestem para contactar o mundo dos gélidos. Protocolos e regras não nos protegem. Nossas almas não ignoram o sabor do plano intenso extracorpóreo. Almas que não engolem seco. Um beijo não é seco, um toque não é seco, uma palavra não é seca. Somos aquelas que contam letras, que decoram sua ordem e incorporam seu significado. E isso era demais pra nós. Era como abrir um vinho e só olfatar a rolha. Impossível não te beber inteira. Eu avisei! Não estamos remediadas. Nunca estaremos. Somos como a lua e suas crateras agora, um lugar inóspito (onde socorro não se verbaliza) à mercê de bilhões de anos para nos recriamos como outro planeta. Tampar nossas memórias profundas é tão impossível como reinventar a vida. Eu já sabia que éramos lunáticas, mas a certeza é ácida, corrói-me por inteira. Dois mundos que precisam encontrar órbitas diferentes, burlar a física das atrações dos nossos pesos maciços. Nessa equação a única variável a diminuir nossa força é o quadrado da distância. Uma distância que somente será mensurável no distanciamento e na percepção do seu efeito atenuador (a longo prazo). Até que assim seja, seu mundo influenciará o meu, mesmo às escuras. Siga em paz, pequeno sonho. Não nos cabe mais na mesma galáxia. Mas por aqui, todas as estrelas continuarão inclinadas, clamando sua "intensity", todas elas já sabem seu nome (isso eu não consigo consertar. A física, a química e a nossa natureza não se conserta).

Júlia Figueiredo

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Júlia Figueiredo

Antes de qualquer coisa, devemos criar espaço para nossa espiritualidade e só a partir daí nos abrirmos às demais criaturas. Saltar e a rede aparecer? Filosoficamente catastrófico, mas (realmente) é o passo da morte que traz renascimento.
Assentada sobre a rocha alta e aquecida, aguardando mais um pássaro pintar essa tela. Ouvimos a corredeira, tocamos a água do leito. Sentimos o calor na pele. Queremos voar para refrescar a alma. Queremos a liberdade de ascender. O vento parece forte, mas não suporta nossa bagage…
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Assentada sobre a rocha alta e aquecida, aguardando mais um pássaro pintar essa tela. Ouvimos a corredeira, tocamos a água do leito. Sentimos o calor na pele. Queremos voar para refrescar a alma. Queremos a liberdade de ascender. O vento parece forte, mas não suporta nossa bagagem pesada. Aqui de cima pensamos como deveria ser, como deveríamos ser. E concluímos estar fora de alcance. A corredeira balança os galhos, contorna a rocha, nutre o limo, compõe a tela. Mas ainda esperamos o pássaro pintá-la. Está mais calor que antes. O Sol queima a pele. Os olhos recolhem-se ainda mais. A tela está menor. Mas com dificuldade, ainda aguardamos o pássaro passar, ditando como deveríamos ser. Está queimando, está ardendo, e com os olhos fechados, sentindo o vento bater sem refrescar a pele, me pergunto como seria se soubéssemos que desmoronaríamos. Lancei-me. “Como pensávamos que poderíamos voar, agora mergulhamos”. E o fazemos com tudo que somos. A coragem de ser livre.