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Frase de rodriguesnutshell

o canibal ele não me morde me lê com os dentes começa pelas orelhas, que uso pra ignorar preces, depois a boca, por onde despejo escárnio. não grito. abro. passa pelos ombros, onde carrego o peso de ser, então os braços, que usei tanto para abraçar inimigos e empurrar amantes. comeu os cotovelos da força que não tive, o gesto que faltou, tudo vai na mesma dentada. depois as mãos, essas que seguram o cigarro. e as pernas, essas que me levaram a becos errados e fugiram do caminho certo. o canibal rói os joelhos, onde dobrei demais, e os pés, que nunca tocaram no chão. devora meu coração, desgasta o ciso mastigando a ilusão do amor. flamba os pulmões, corta a fuligem, assa os alvéolos: meus atalhos anestésicos. não resisto, entrego. cada pedaço arrancado era o que sobrava de mim: nome, pose, piercings. o canibal mastiga devagar, como um diabético mascando chiclete sem açúcar. não sobrou peito: menos eu e mais espaço. o cérebro vem por último, sobremesa agridoce, viciante. e nele, começa pelos poemas. mastiga versos inteiros, cospe rimas fracas e parafusos soltos, engole metáforas que usei pra esconder a verdade. do amor, não quer beijos nem transas: quer a vontade. dos vícios, gosta mais. lambe o açúcar do café, o brilho curto do prazer rápido, bebe a coragem falsa como cerveja quente. cada coisa comida me deixa mais simples, menos personagem. mais eu. quando termina, não sou vazio. sou tutano. o canibal limpa a boca e vai embora. fico. pela primeira vez, íntegro. e o que ficou, não escreve m canibal ele não me morde me lê com os dentes começa pelas orelhas, que uso pra ignorar preces, depois a boca, por onde despejo escárnio. não grito. abro. passa pelos ombros, onde carrego o peso de ser, então os braços, que usei tanto para abraçar inimigos e empurrar amantes. comeu os cotovelos da força que não tive, o gesto que faltou, tudo vai na mesma dentada. depois as mãos, essas que seguram o cigarro. e as pernas, essas que me levaram a becos errados e fugiram do caminho certo. o canibal rói os joelhos, onde dobrei demais, e os pés, que nunca tocaram no chão. devora meu coração, desgasta o ciso mastigando a ilusão do amor. flamba os pulmões, corta a fuligem, assa os alvéolos: meus atalhos anestésicos. não resisto, entrego. cada pedaço arrancado era o que sobrava de mim: nome, pose, piercings. o canibal mastiga devagar, como um diabético mascando chiclete sem açúcar. não sobrou peito: menos eu e mais espaço. o cérebro vem por último, sobremesa agridoce, viciante. e nele, começa pelos poemas. mastiga versos inteiros, cospe rimas fracas e parafusos soltos, engole metáforas que usei pra esconder a verdade. do amor, não quer beijos nem transas: quer a vontade. dos vícios, gosta mais. lambe o açúcar do café, o brilho curto do prazer rápido, bebe a coragem falsa como cerveja quente. cada coisa comida me deixa mais simples, menos personagem. mais eu. quando termina, não sou vazio. sou tutano. o canibal limpa a boca e vai embora. fico. pela primeira vez, íntegro. e o que ficou, não escreve mais.

rodriguesnutshell

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Pensador.com

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Outras frases de rodriguesnutshell

Silêncio Músicas que ressoam o nada, gritam — o ouvido estraçalha.
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Silêncio Músicas que ressoam o nada, gritam — o ouvido estraçalha. O meu cúmplice que vira, esse silêncio guardado. E esse silêncio rasga, atravessa a alma fraca, como penitência fria, quietinho me abraça. Silêncios que gritam, verdades caladas. Grito preso é silêncio armado, municiado e vestido de luto sagrado. Fala mais alto que o fôlego permite. Calado, ele grita; gritando, ele cala. Cárcere privado dentro de mim, confortável veneno. O silêncio revela o que o barulho disfarça, o que a palavra teme, o que o tempo guarda. E o que o silêncio guarda? Além de segredos, mentiras e piadas? E o que ele mata? Além das verdades, vontades e a alma? Guarda cartas nunca enviadas, guarda abraços negados, guarda beijos molhados, guarda o gosto amargo dos “nunca mais” e dos “quem sabe um dia”. Mata risos pela metade, mata sonhos no olhar cansado, mata desejos acorrentados, mata o amanhã no ontem enterrado. Não falo do silêncio externo, mas daquele interno, que a gente tranca e alimenta, pouco a pouco, com migalhas. Silêncio que abraça, engolindo palavras, sufocando pensamentos, despindo a alma. Como eu o calo? Escrevo em tormento nesse silêncio que me acompanha dia e noite, enquanto trabalho, enquanto rio, enquanto falo, enquanto disfarço. Ele se deita comigo, divide o travesseiro, morde o meu sono. É sombra no peito, é nó na garganta, é frio na barriga, é relógio parado. E quando penso que partiu, ele retorna, paciente, sentando-se à mesa com um prato vazio. (esperando as migalhas) Come do meu cansaço, bebe da minha espera, e ri sem fazer barulho. O silêncio não é ausência, é presença severa, é voz oculta, é juiz sem sentença. No fim, pergunto: se eu quebrar o silêncio, o que sobra de mim?

Perfume de canela Eu te vejo dançando nas sombras do meu quarto.
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Perfume de canela Eu te vejo dançando nas sombras do meu quarto. O seu perfume eu cheiro no café passado pela manhã (com canela). Ainda guardo teu gosto nos dias que arrastam meus pés sem querer. Coisas que não se encontram por aí, principalmente quando se está procurando. Te encontro no avesso das horas, nas frestas da memória, nos intervalos do riso, onde o silêncio respira teu nome. E mesmo sem estar, você permanece — como marca d’água, como cicatriz, como música que insiste em tocar quando já desliguei o rádio.

neurônios bebendo álcool, matando neurônios. o quão bêbado é o suficiente?
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neurônios bebendo álcool, matando neurônios. o quão bêbado é o suficiente? cada gole executa milhares — mas tudo bem, temos bilhões de reservas. primeiro, morrem as células tristes: abrimos sorrisos largos, falsos. depois, caem as quietas: e falamos alto, sem motivo algum. as idiotas são as próximas — e cada frase soa genial, cada piada, obra-prima. então chegamos às da memória... essas não morrem fácil. agarram-se ao copo, gritam dentro da cabeça, insistem em sobreviver. e no fundo da garrafa, vejo o espelho.

aquilo que meu amigo me disse imagina só gostar de alguém e esse alguém não ser seu.
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aquilo que meu amigo me disse imagina só gostar de alguém e esse alguém não ser seu. fica só o refrão, refazendo-se em mantra, pulsando, pulsando a cada batimento. meus beijos já não têm o mesmo gosto. doce teu me encanta, afasta os outros. e o tempo passa sem você, sem você. e o que posso dizer? fico ansiando nós, gastando os lábios ligada a mim, ligada a mim, até o ponto de escolher ficar só, esperando um “sim” ou um “não dá mais...”. peço a deus para esquecer, mas só de pedir, lembrei. então, por favor, mesmo sem saber que estou aqui, minha lua, minha flor, cante comigo, cante comigo, em silêncio, no amanhecer. mas você será sempre amada por alguém que talvez nunca saiba dos sonhos que teve comigo