Frase de Maria da Penha BoinaDalvi
Purista, eu? Chamaram-me purista, num tom de ironia, Como se o zelo fosse pecado, heresia. Por buscar nos arcanos da gestão cadente, Um fio de lógica, um traço coerente. Falaram de anacronismo, como quem sussurra ao vento, Sem notar que o tempo carrega o esquecimento. Gestões de ontem, sombras de um outrora, Não resistem à aurora, que a crítica devora. Eis que escrevo, não para agradar vaidades, Mas para despir o rei de suas falsidades. Se purismo é pensar, é questionar o vago, Que me chamem de pura, pois o impuro é frágil. Anacrônica é a cegueira que persiste em andar, Na trilha do ontem, sem ousar inovar. E eu? Sou ponte entre o velho e o novo, Sou o verbo que inquieta, sou quem move o povo. Não temo o rótulo que me foi ofertado, Pois na busca da razão, o título é fado. Que venha o futuro, com suas chamas ardentes, Purista ou não, sigo lúcida, entre linhas e correntes.
No pensador.ai desde