Frase de Maria da Penha BoinaDalvi
O arquivo das estações Guardei um mapa num lugar perdido, onde o tempo, por descuido, hesita. Os traços são rios que secaram cedo, mas ainda guardam o murmúrio da vida. As árvores falam línguas apagadas, e suas folhas, arquivos de eras, sussurram verdades disfarçadas nos códigos de antigas primaveras. O céu é um espelho de névoa e ferro, onde as estrelas, frias, descansam. Os ventos carregam ecos austeros, memórias partidas que não se alcançam. Ainda assim, no silêncio partido, há mãos que moldam o que não existe. Nas cinzas do velho, o novo é tecido, num fôlego breve, sutil, mas persiste. Os sonhos futuros não têm formato; são só fragmentos em órbita errante. Mas cada estação, num ciclo exato, guarda uma semente sempre pulsante.
No pensador.ai desde