Frase de Jorgeane Borges Photograph
Dentro do Corpo Há dias em que morar em mim é como habitar um corpo alheio. O peito pulsa em golpes bruscos, como martelos sem compasso, e cada batida ecoa por dentro como se o coração buscasse um rumo que perdeu. O ar pesa. Não é que falte oxigênio — é que cada tentativa de inspirar parece empurrar contra um muro invisível. O pulmão enche, mas a dor o esvazia antes do suspiro terminar. Os músculos se tornam fios trêmulos, sustentando um corpo que ameaça despencar a cada passo. O cansaço não é sono; é um colapso silencioso que pede desligar tudo, como quem reinicia uma máquina cansada demais para funcionar. Por dentro, tudo treme. Não é frio, não é medo — é um estremecimento que começa no centro e se espalha, como se o corpo tentasse se desligar para proteger o que resta. E, no entanto, permaneço. Não por escolha heróica, mas porque, mesmo perdido, o coração insiste em bater. E eu sigo, acompanhando-o, como quem atravessa a noite sem saber se haverá amanhecer.
No pensador.ai desde