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Frase de Sandra Boveto

À LUCIDEZ Dentro de mim há um enigma. Olho para fora, busco a cura. Não resisto, quero a loucura, essa que cura, loucura benigna. Pois quando louca, sinto-me sã, salva da lucidez que me enlouquece, dessa lucidez que me adoece. Quero a loucura cega, surda e vã. Sim, vã! Pois o que faz sentido maltrata. O significativo não mais me arrebata. Vou-me ajustar a essa vida insana. Não resisto! Tiraram-me a gana! ... Não, não é isso! Fui leviana! Quero a lucidez, a mais cara loucura. Volto à lucidez e me entrego à tortura. Que doa, que maltrate ou que me mate, mas confio à lucidez o meu resgate.

Sandra Boveto

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Pensador.com

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BEIJO AUGUSTO Como eu aguento? Essa pergunta me vem, às vezes… fica incerto tempo e desaparece. Voltará? Perguntas e vontades voltarão? Ou viraram altocúmulos? Estratos? Cirros talvez… Quero nimbos, seguidos de relâmpagos e chuva forte! Não saber é o que não aguento. É isso que eu não aguento: não saber! O que, como, para onde… qual é o rumo mesmo? Nau sem norte… já disse isso? Pois repito. Gosto de repetir algumas coisas para me convencer da resposta, essa que não sei resposta errada resposta certa como qualquer resposta sempre foi: certa E errada nunca uma única coisa pois verdade é isso mesmo: quimera pantera, fera, véspera do escarro mas nunca companheira inseparável. A verdade é qualquer coisa menos a realidade é equação algébrica: X – REALIDADE = VERDADE Se a realidade for maior que qualquer coisa, a verdade terá um formidável enterro E é assim que eu aguento, sem aguentar de saudades daquilo que eu sei que existe, mas não vejo da verdade, às vezes, positiva daquilo que me revelou, nada mais revelando, além do beijo do augusto anjo.

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Folhas e pontos Gostaria que as folhas nunca fossem de ponto, ponto que marca tempo, o tempo que não me pertence; obtuso ponto que me amarra ao tronco desse açoite das horas. Gosto das folhas que seguem o vento, vento que as liberta dos galhos fixos do tempo. Com o tempo, elas chegam ao ponto de, como o tempo, irem embora.