Frase de Oswaldo Jesus Motta
Migalhas Todas as tardes uma senhora de vestido estampado chega ao banco da praça com um pequeno saco de pão nas mãos. Senta-se devagar e começa a lançar migalhas sobre o chão gasto de passos. Os pombos logo aparecem serenos, platinados, alguns escuros, outros claros caminhando em círculos como se conhecessem o ritual. A tarde passa sem pressa. A luz se inclina nos prédios, e o horizonte começa a escurecer. Quando as últimas migalhas se acabam, a senhora limpa as mãos no vestido, levanta-se com calma e segue pela alameda. Não diz palavra alguma. Também não precisa. Entre o bater de asas e o silêncio da praça, tudo já foi dito.
No pensador.ai desde