Frase de Evan do carmo
Eis-me entre homens, meu irmão, na angústia e na dor de saber da finitude — e da inutilidade da vida quando o assunto é a eternidade. Amo e odeio essa possibilidade. Convivo entre homens que, embora tente compreender, enxergo como fracos: almas perdidas no labirinto da consciência da morte. Cegos guiando cegos, todos buscam entender o que não é possível, e acima de tudo, tentam encontrar sentido naquilo que apenas repetem — como se a crença, por si, salvasse. Às vezes penso: talvez sejam como eu, alguém que aprendeu a repetir os erros ancestrais — a ilusão da crença de que há algum sentido na morte do homem. Sobretudo depois de se conhecer a sentença: “Tu és pó, e ao pó voltarás.” Me solidarizo com esses homens. Mas, ao contrário deles, na maior parte do tempo, eu nego qualquer sentido ao universo. Rejeito qualquer ideia cósmica ou estoica de metafísica — seja a da alma imortal, seja a da carne eterna, ou da saturação de algum prazer físico. Tudo é em vão. Seguimos como ovelhas para o abate, e todas as crenças desabam quando a razão nos assalta, como um raio que, vez por outra, ilumina demais.
No pensador.ai desde