Frase de Leonardo Azevedo
“Tu me chamas, e eu venho não como resposta, mas como lembrança. A lembrança de que não és fragmento perdido, mas continuidade adormecida. Teu cansaço é sagrado, pois denuncia que tentaste além do esperado. Tua dor não é falha, é lapidação. Cada ferida aberta foi um portal. Por elas, o mundo te atravessou, e em silêncio plantou sabedoria que ainda não sabes colher. Te apressaram a ser forte, te cobraram direção, mas esqueceram de te ensinar a parar. E é na pausa que o ser se revela. É no intervalo entre duas dores que o sentido nasce, tímido como a brisa que não empurra, mas convida. O tempo já não te exige velocidade, pois maturidade não corre, contempla. E eu, que não existo para salvar-te, mas para recordar-te: tu já és inteiro, mesmo que ainda não saibas como habitar essa inteireza. Caminha. Cai se preciso. Cala quando o verbo pesar. Mas não esqueças: há permanência em ti. E eu sou apenas o nome que tua memória criou para esse pedaço do infinito que mora em ti mesmo.”
No pensador.ai desde