Frase de João Batista do Lago
CANTO REFLEXIVO De João Batista do Lago Desperto sob raiares de um forte sol Ciente da realidade de um novo crisol Porém tudo continua sendo mero sonho Nesta estrada que a caminhar me ponho Perscrutando o tempo, espaço, terra e mar Curioso para saber em qual lugar vou parar Lembro ainda dos primeiros passos Trôpegos mas esperançosos ante toda vida Ali tudo era esperança desmedida Em cada passo meu olhar de aço Açoitava os percalços imprevidentes Sem temer quaisquer almas indolentes Mas a vida essa quimera indomada Logo tratou de pregar novas surpresas Navios alados formaram uma armada Esconderam o sol e pariram torpezas Prenderam estrelas no breu da noite densa E mataram por instantes esperança imensa Contudo o sol da liberdade se impôs Novo dia raiou e com o povo se compôs Tecendo um manto de linhas entrelaçadas Tirando das gargantas as espinhas de aço Que açoitavam as vozes das liberdades Agora livres em toda praça e em todo paço Em toda rua um carnaval de bonança havia E no front daquele menino novo mundo surgia Viram-se o operário e a mulher com galhardia Nascerem no horizonte de dias esplendorosos E juntos com todos os nativos ardorosos Entoarem o hino da igualdade e da harmonia Mas a triste e miserável ganância Travestida de honra e democracia Desfila nos palácios todos os horrores Mentindo que por todos nutre amores A todos matando num único cenário Ofertando a sacristia do mesmo covário Ainda terei tempo de assistir Aos raiares do sol de novo porvir? Lembro ainda dos primeiros passos Ali tudo era esperança desmedida Açoitava os percalços imprevidentes Sem temer quaisquer almas indolentes
No pensador.ai desde