Frase de Bernardo Almeida
A chuva e o absurdo E eu que sou tão pobre, fraco e envergonhado Sou aquele que tem medo do espelho Mas nunca admite E eu que sou tão baixo e retrógrado Tão louco, difuso e passional Se fosses minha, saberia... Eu sou o absurdo mais inconcebível da humanidade Sou cinzas e tristezas Sou frustrações e decepções Sou noites em claro Sou a ferida que não cura Sou aquele que ama calado Sou a décima xícara de café E eu que sou tão parvo Que choro escondido e peço segredo Que sofro as decepções da humanidade Ainda que tente firme esquivar-me E eu que sou tão medonho Em meio a este sonho insólito e enfadonho Que durmo de luzes acesas Não quero ser a sombra de ninguém Mas como viverei daqui adiante? A sobrevivência guarda para mim o fracasso? Não quero saber o que me reservam os dias Por meio tempo sou a vida que nunca quis Sou o ano mais longo A aventura menos fantástica O livro mais chato A solidão e o infortúnio de um canto de parede Sujo e mal iluminado E eu que me encontro neste dia de chuva Cubro meu corpo nu Enquanto escuto calmo a chuva cair Bernardo Almeida
No pensador.ai desde