Pular para o conteúdo

Frase de Jorgeane Borges Photograph

Ressurreição Silenciosa Eu tenho vivido como quem caminha entre escombros — tentando juntar os pedaços do que sobrou de mim, tentando entender onde foi que o brilho se perdeu. Às vezes, sinto o cheiro do fim antes mesmo de acordar, como se o dia viesse com um aviso: hoje vai ser pesado de novo. E é. É como viver dentro de um corpo que não responde, uma alma que não sente, um coração que cansou de pedir socorro. Já tentei gritar. Aos céus, ao travesseiro, ao silêncio. Já segurei a própria garganta, tentando expulsar a dor por onde pudesse sair. Mas meu grito nunca teve som — só ecoava dentro de mim, como um trem desgovernado, como a música que eu sempre escolho porque fala a língua da exaustão que carrego. E mesmo assim… Deus ouviu. Eu pedi anjos, Ele me enviou pessoas. Gente que consegue me alcançar quando ninguém mais vê, que percebe minha ausência mesmo quando estou presente, que insiste em me segurar quando tudo em mim está escorregando. Eu não sei agradecer, não sei sorrir do jeito que gostaria. Quimicamente, emocionalmente, fisicamente, estou esgotada. Mas por dentro, há gratidão — quieta, mas viva. No meio desse caos organizado que sou — dessas ideias que nascem de sentimentos embolados, dessas certezas plantadas num chão de dúvidas — eu tento existir. Mas confesso: às vezes, viver dói. Respirar dói. Levantar dói. Ser forte por quem precisa de mim dói ainda mais. É um dilema cruel: enquanto luto para não desistir de mim, preciso ser força para quem enfrenta batalhas visíveis, enquanto as minhas são todas internas. E, mesmo assim, algo em mim insiste. Uma faísca minúscula, quase apagada, mas ainda ali. Talvez seja fé. Talvez seja o amor pelo meu filho, meu potinho de mel, que um dia segurou meu dedo como quem segurava meu futuro inteiro. Talvez seja o desejo de deixar algo meu — um conselho, um afeto, uma verdade — que permaneça quando eu não conseguir mais permanecer. Eu não quero romantizar nada. O que eu vivo é bruto, cru, real. É depressão, ansiedade, burnout, dor física, dor emocional, dor espiritual. É anedonia. É o vazio que engole até o que era mais bonito em mim. Mas ainda assim… há algo aqui dentro que se recusa a morrer. Talvez eu seja mesmo uma fênix cansada. As asas queimadas, o peito em cinzas, a voz quase sem som. Mas ainda assim… cinzas não são fim. São começo. Então, Deus, se por acaso ainda houver em mim qualquer sopro de recomeço, qualquer possibilidade de renascer, eu te peço: seja bálsamo para as minhas dores, sustento para a minha alma. Me ajude a ressurgir. A encontrar no silêncio um pouco de paz. A reconstruir o sorriso que perdi pelo caminho. A reencontrar a luz que um dia brilhou nos meus olhos. Porque, mesmo que eu não me sinta viva todos os dias, mesmo que eu caminhe tropeçando entre sombras, eu ainda acredito — lá no fundo — que a fênix que existe em mim ainda pode se levantar. Nem que seja devagar. Nem que seja quase sem forças. Nem que ninguém veja. Mas eu… eu ainda quero renascer. 10 de Dezembro 2024

Jorgeane Borges Photograph

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Jorgeane Borges Photograph

Cartas aos Céus | Orações Escritas O Deus que me sustenta Senhor, hoje eu não venho Te pedir que o dia tenha sido diferente.
Continuar lendo

Cartas aos Céus | Orações Escritas O Deus que me sustenta Senhor, hoje eu não venho Te pedir que o dia tenha sido diferente. Venho Te agradecer porque, mesmo sendo tão difícil, Tu me sustentaste dentro dele. Meu corpo cansou, minha mente se encheu, meu coração se apertou. Houve dores, aborrecimentos e desconfortos que só Tu conheces por inteiro. E ainda assim, eu permaneci. Não pela minha própria força. Foi a fé que me fez continuar quando eu já não queria mais pensar, resolver ou suportar. Foi a Tua presença me lembrando, silenciosamente, que eu não estava sozinha. Por isso, hoje, eu Te enalteço. Porque quando minhas forças diminuem, Tu permaneces forte. Quando eu não sei como continuar, Tu me sustentas. E quando tudo em mim se cala, a fé ainda encontra um jeito de dizer: Tu és Deus, e eu continuo de pé porque Tu me sustentaste. Obrigada, Senhor. Por hoje. Por tudo. E, sobretudo, por não teres me deixado caminhar sozinha. 30 de setembro de 2026

Cartas não entregues São palavras não ditas, sentimentos sufocados e confissões que morreram antes de encontrar voz. São saudades que não compartilhamos, abraços que ficaram suspensos no desejo, pensamentos que nasceram para alguém e terminaram sozinhos.
Continuar lendo

Cartas não entregues São palavras não ditas, sentimentos sufocados e confissões que morreram antes de encontrar voz. São saudades que não compartilhamos, abraços que ficaram suspensos no desejo, pensamentos que nasceram para alguém e terminaram sozinhos. Às vezes, foram escritas. No papel, à mão, com a letra trêmula de quem sentia demais. Outras, digitadas às pressas, em alguma tela iluminada pela madrugada, antes de serem apagadas, como se apagar as palavras fosse também uma maneira de esconder o que se sentia. Algumas repousam em folhas esquecidas. Outras, em rascunhos sem destino, em bloquinhos digitais, entre mensagens nunca enviadas e silêncios que ninguém soube interpretar. Talvez sejam essas as cartas mais difíceis de escrever: as que não pedem resposta, não esperam retorno, não chegam a lugar algum. Apenas guardam, em algum canto secreto de nós, aquilo que um dia quisemos dizer. E talvez o tempo passe, as pessoas mudem, a vida siga seu curso... Mas certas cartas permanecem. Não porque ainda esperem ser entregues, mas porque algumas palavras, mesmo quando nunca chegam ao destinatário, precisam existir para que o coração se lembre de que um dia sentiu.

Há olhos que não sabem esconder. Mesmo quando a boca silencia, mesmo quando o corpo continua,
Continuar lendo

Há olhos que não sabem esconder. Mesmo quando a boca silencia, mesmo quando o corpo continua, mesmo quando a vida parece seguir no lugar de sempre, há coisas que transbordam pelo olhar. E talvez seja por isso que algumas pessoas nos chamem de fortes sem perceber o quanto estamos cansados. Não é que a dor esteja escondida. Às vezes, ela está justamente ali, cristalina, diante de quem olha. Mas nem todo olhar enxerga. É preciso alguma coisa além dos olhos para reconhecer a tristeza no brilho, o cansaço no silêncio, a solidão onde ninguém imagina haver vazio. É preciso alma para olhar outra alma. Porque há pessoas que perguntam se estamos bem e há aquelas que simplesmente percebem. E, às vezes, tudo o que uma alma cansada precisa não é de alguém que diga você é forte. É de alguém que olhe demoradamente e diga, sem precisar dizer: eu vi.

Senhor, fica. Meu espírito está cansado, meu coração está apertado e minha alma já não sabe mais como pedir socorro. Eu não tenho forças para atravessar tudo sozinha.
Continuar lendo

Senhor, fica. Meu espírito está cansado, meu coração está apertado e minha alma já não sabe mais como pedir socorro. Eu não tenho forças para atravessar tudo sozinha. Por isso, fica. Se eu não conseguir entender, fica. Se eu não conseguir orar, fica. Se minhas lágrimas forem a única coisa que eu conseguir Te oferecer, recebe-as. Não me deixes atravessar esta noite sem sentir a Tua presença. Consola o meu coração, sustenta o que em mim está desabando e sopra vida onde já não encontro forças. Eu só Te peço: não saias de perto. Porque, Senhor, eu posso até estar cansada de tudo, mas ainda preciso de Ti.