Frase de Silvano Pontes
Infância cabocla 2 Nas várzeas do Amazonas fui criado, Numa comunidade ribeirinha. Lá minha família criava gado E no tempo que a enchente vinha, Pra terra firme até gente ia morar, Até a água começar a baixar. Desde cedo aprendi a nadar, Segurando no casco, a bater o pé. E o rio sempre a me ensinar, Que eu sou da várzea, cria do igarapé. Brincando de manja a gente nadava E o medo das águas logo acabava. Fazia cavalo com palha de bacabeira Jogava pião no terreiro de chão Bolinha de gude, a mira certeira Futebol no campinho era só emoção. Subia na goiabeira pra comer fruta madura E apedrava nas mangueiras pra colher muita fartura. Mas nem tudo era só brincadeiras, O trabalho começava cedo Meus irmãos tiravam leite das vacas leiteiras E andavam a cavalo sem medo. À tarde no curral prendíamos o gado Plantávamos milho, jerimum e melancia no roçado. Ah, minha doce infância cabocla! Que o tempo levou, mas na lembrança ficou Um gosto de infância que não sai da boca, Tesouro tão raro que o peito guardou. Ah, que saudade das brincadeiras! Da vida singela, porém verdadeira. Autor: Silvano Pontes. Amazonas em poesias
No pensador.ai desde