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Frase de Desidério Murcho

"Os seres humanos sentem-se felizes com valores mais sólidos — amizade, verdade, justiça. E quando lhes sai a lotaria ficam eufóricos durante um curto período, mas depois voltam ao que eram: se eram pessoas deprimidas, voltam a ficar deprimidas, se eram felizes, voltam à felicidade anterior. [...] Nada é mais racional do que uma emoção apropriada, e nada mais irracional do que a falta dela: alguém que não fique horrorizado com o sofrimento alheio é adequadamente descrito como desumano. E a razão é também a faculdade mais emocional dos seres humanos: mal conduzida por emoções erradas, é possível produzir as piores ideias e argumentos [...] sem ver que são péssimas, só porque massajam as nossas emoções mais tontas. O ser humano equilibrado e feliz cultiva as emoções apropriadas, que respondem à razão, e trabalha para impedir que as piores emoções lhe toldem a razão."

Desidério Murcho

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Desidério Murcho

A filosofia não é um corpo de conhecimentos que nos baste assimilar acriticamente, mas antes a atividade crítica de estudar ideias e argumentos minuciosamente, para ver se serão plausíveis ou não. Por isso, não se encontra nos melhores filósofos um conjunto de instruções esotéric…
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A filosofia não é um corpo de conhecimentos que nos baste assimilar acriticamente, mas antes a atividade crítica de estudar ideias e argumentos minuciosamente, para ver se serão plausíveis ou não. Por isso, não se encontra nos melhores filósofos um conjunto de instruções esotéricas para dar sentido às nossas vidas. O que se encontra são estudos cuidadosos de diferentes ideias e argumentos sobre o problema. Isto não significa que não existam conclusões consensuais, entre os filósofos atuais, sobre o sentido da vida. Significa apenas que o trabalho filosófico é fundamentalmente a discussão minuciosa e paciente dessas conclusões e dos argumentos que as sustentam.

Uma vez mais, estamos perante uma espécie de prostituição semântica, que neste caso tem até nomes muito precisos: relativismo e multiculturalismo. Estas ideologias pretendem fazer-se passar por posições de tolerância relativamente a culturas e práticas e crenças diferentes das no…
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Uma vez mais, estamos perante uma espécie de prostituição semântica, que neste caso tem até nomes muito precisos: relativismo e multiculturalismo. Estas ideologias pretendem fazer-se passar por posições de tolerância relativamente a culturas e práticas e crenças diferentes das nossas; na verdade, no entanto, escondem uma incapacidade radical de compreender e praticar a tolerância. [...] A resposta é que não se trata verdadeiramente de tolerância, dado que eu começo por admitir que não há verdades neste domínio; logo, os outros nunca estão errados. [...] O relativismo e o multiculturalismo são sucedâneos da verdadeira tolerância quando não se tem a capacidade mental para ser verdadeiramente tolerante. A tolerância é tolerar o que consideramos errado.

Fosse a física exatamente o que é, ou a astronomia, ou a matemática, mas sem aplicações práticas que dão dinheiro e conforto, e ninguém aceitaria a autoridade dos cientistas. É a autoridade dos cientistas que faz a generalidade das pessoas aceitar ideias quase ininteligíveis de t…
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Fosse a física exatamente o que é, ou a astronomia, ou a matemática, mas sem aplicações práticas que dão dinheiro e conforto, e ninguém aceitaria a autoridade dos cientistas. É a autoridade dos cientistas que faz a generalidade das pessoas aceitar ideias quase ininteligíveis de tão complexas — sobre átomos, o Big Bang, a dinâmica de fluidos, números imaginários, etc. Mas a autoridade dos cientistas só foi conquistada por via do dinheiro e da aplicação prática, e não pela razoabilidade das teorias. [...] As teorias filosóficas têm menor grau de aceitação popular do que as científicas não por qualquer defeito epistêmico que tenham, mas por falta de poder social. Mas em ambos os casos se começa com o banal e se acaba com o contra-intuitivo e o inverosímil e o difícil de compreender.