Pular para o conteúdo

Frase de Desidério Murcho

Fosse a física exatamente o que é, ou a astronomia, ou a matemática, mas sem aplicações práticas que dão dinheiro e conforto, e ninguém aceitaria a autoridade dos cientistas. É a autoridade dos cientistas que faz a generalidade das pessoas aceitar ideias quase ininteligíveis de tão complexas — sobre átomos, o Big Bang, a dinâmica de fluidos, números imaginários, etc. Mas a autoridade dos cientistas só foi conquistada por via do dinheiro e da aplicação prática, e não pela razoabilidade das teorias. [...] As teorias filosóficas têm menor grau de aceitação popular do que as científicas não por qualquer defeito epistêmico que tenham, mas por falta de poder social. Mas em ambos os casos se começa com o banal e se acaba com o contra-intuitivo e o inverosímil e o difícil de compreender.

Desidério Murcho

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Desidério Murcho

A filosofia não é um corpo de conhecimentos que nos baste assimilar acriticamente, mas antes a atividade crítica de estudar ideias e argumentos minuciosamente, para ver se serão plausíveis ou não. Por isso, não se encontra nos melhores filósofos um conjunto de instruções esotéric…
Continuar lendo

A filosofia não é um corpo de conhecimentos que nos baste assimilar acriticamente, mas antes a atividade crítica de estudar ideias e argumentos minuciosamente, para ver se serão plausíveis ou não. Por isso, não se encontra nos melhores filósofos um conjunto de instruções esotéricas para dar sentido às nossas vidas. O que se encontra são estudos cuidadosos de diferentes ideias e argumentos sobre o problema. Isto não significa que não existam conclusões consensuais, entre os filósofos atuais, sobre o sentido da vida. Significa apenas que o trabalho filosófico é fundamentalmente a discussão minuciosa e paciente dessas conclusões e dos argumentos que as sustentam.

Uma vez mais, estamos perante uma espécie de prostituição semântica, que neste caso tem até nomes muito precisos: relativismo e multiculturalismo. Estas ideologias pretendem fazer-se passar por posições de tolerância relativamente a culturas e práticas e crenças diferentes das no…
Continuar lendo

Uma vez mais, estamos perante uma espécie de prostituição semântica, que neste caso tem até nomes muito precisos: relativismo e multiculturalismo. Estas ideologias pretendem fazer-se passar por posições de tolerância relativamente a culturas e práticas e crenças diferentes das nossas; na verdade, no entanto, escondem uma incapacidade radical de compreender e praticar a tolerância. [...] A resposta é que não se trata verdadeiramente de tolerância, dado que eu começo por admitir que não há verdades neste domínio; logo, os outros nunca estão errados. [...] O relativismo e o multiculturalismo são sucedâneos da verdadeira tolerância quando não se tem a capacidade mental para ser verdadeiramente tolerante. A tolerância é tolerar o que consideramos errado.

As sociedades democráticas atuais estão dominadas pelos meios de comunicação de massas, eleições que fazem lembrar concursos televisivos, multinacionais mais poderosas do que Estados, e uma irracionalidade notória na gestão da riqueza e dos recursos naturais. [...] Este é um mund…
Continuar lendo

As sociedades democráticas atuais estão dominadas pelos meios de comunicação de massas, eleições que fazem lembrar concursos televisivos, multinacionais mais poderosas do que Estados, e uma irracionalidade notória na gestão da riqueza e dos recursos naturais. [...] Este é um mundo regido pelo consumismo frívolo, pela mentira da publicidade e da política populista, pela destruição dos recursos naturais, pela comunicação desviante que faz uma multidão gritar num bar sem realmente conversar nem estabelecer relações sociais sólidas. [...] A ideia de que podemos continuar a viver indefinidamente tal como vivemos hoje é um puro disparate; se todas as pessoas do mundo consumissem a energia que as pessoas dos países desenvolvidos consomem, o planeta não resistiria durante muito tempo. Não se trata de saber se queremos ou não encontrar alternativas para o modelo de sociedade em que hoje vivemos; nós teremos de o fazer.