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Frase de Paulo Henriques Britto

os rios foram feitos pra fugir cada um de sua própria condição de ser líquido e linear; perene e ao mesmo tempo efêmero; lírico e econômico - pois que recurso natural- único e múltiplo; imóvel, mas fluente ou, simplesmente, fluvial- mas por isso e felizmente tão somente por isso os rios foram feitos pra fugir, fluir, não pra analisar -nunca pra analisar!- para fugir.

Paulo Henriques Britto

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Pensador.com

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Outras frases de Paulo Henriques Britto

BARCAROLA eu e (você) andando , de mãos emprestadas, quase pelas ruas,
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BARCAROLA eu e (você) andando , de mãos emprestadas, quase pelas ruas, sem olhar para cima nem pros lados nem pra frente, porém em direção ao Futuro. Ou ao Eterno. Ou ainda ao Sublime. Ou coisa que o valha, ou qualquer coisa que não valha nada. eu (e você) , nós dois, na noite quase escura, pulando pelos paralelepípedos da rua asfaltada brincando de amarelinha sem linhas nem pedra, saltando por cima das regras, sem ligar a mínima, eu e “você”, sem fôlego, sem direção, furando sinais, cruzando fora das faixas, comprando coisas em lojas fechadas na parte mais feia da cidade temporariamente morta, eu e “(você)”, sem tempo, sem horário, sem pressa nem propósito, cortando a vitrine com o diamante do anel que estamos tentando roubar da vitrine que estamos cortando com o diamante do anel que ainda vamos roubar , eu e quase você, bêbados, desbundados, tontos de sono, prostrados na praia artificial polindo na areia plástica a pedra do anel que a gente ia roubar contando as estrelas que o dia já apagou vendo o sol nascer às avessas esperando o barco. - Ó, lá vem o barco! O barco.

Mas essa sensação é ilusória, pois esses vestígios não fazem mais parte de você: só podem ser ocupados provisoriamente, como uma roupa que se veste. Assim que se cansar desse jogo e se levantar da cadeira, você vai voltar a perdê-los: mais ainda, vai perder também uma pequena por…
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Mas essa sensação é ilusória, pois esses vestígios não fazem mais parte de você: só podem ser ocupados provisoriamente, como uma roupa que se veste. Assim que se cansar desse jogo e se levantar da cadeira, você vai voltar a perdê-los: mais ainda, vai perder também uma pequena porção adicional de sua matéria, mais vestígios seus que vão ficar no ar, superpostos aos anteriores. Esses vestígios mais cedo ou mais tarde vão se dispersar, com o movimento constante de corpos no quarto, e se perder para sempre. Assim, você está constantemente largando camadas sucessivas de seu ser, desintegrando-se a cada instante de sua existência no espaço; e é por isso que você não é eterno, não pode ser eterno, pelo mesmo motivo que um lápis ou uma borracha não podem ser eternos. Mas há uma maneira simples de alterar essa situação - quer dizer, não alterá-la objetivamente, o que seria impossível, e sim modificar o modo como você a vivencia (e como você só sabe das situações o que vivencia delas, para todos os fins práticos modificar sua percepção de uma situação é a mesma coisa que modificar a situação em si): basta sentar-se na cadeira, pegar um lápis e uma folha de papel, e começar a escrever.

Nem tudo que tentei perdi. Restou a intenção de ser alguém ou algo que não se pode ser, mas só ter sido;
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Nem tudo que tentei perdi. Restou a intenção de ser alguém ou algo que não se pode ser, mas só ter sido; restou a tentação do nada, nunca tão forte que vencesse esse meu medo que é a coisa mais honesta que há em mim. Sobrou também o hábito vadio de me virar do avesso e esmiuçar as emoções como quem espreme espinhas. Mas nada disso dói; a dor é um ácido que ao mesmo tempo que corrói consola, é uma coceira que vem lá de dentro e me destrói sem dignidade alguma.