Frase de Paulo Henriques Britto
BARCAROLA eu e (você) andando , de mãos emprestadas, quase pelas ruas, sem olhar para cima nem pros lados nem pra frente, porém em direção ao Futuro. Ou ao Eterno. Ou ainda ao Sublime. Ou coisa que o valha, ou qualquer coisa que não valha nada. eu (e você) , nós dois, na noite quase escura, pulando pelos paralelepípedos da rua asfaltada brincando de amarelinha sem linhas nem pedra, saltando por cima das regras, sem ligar a mínima, eu e “você”, sem fôlego, sem direção, furando sinais, cruzando fora das faixas, comprando coisas em lojas fechadas na parte mais feia da cidade temporariamente morta, eu e “(você)”, sem tempo, sem horário, sem pressa nem propósito, cortando a vitrine com o diamante do anel que estamos tentando roubar da vitrine que estamos cortando com o diamante do anel que ainda vamos roubar , eu e quase você, bêbados, desbundados, tontos de sono, prostrados na praia artificial polindo na areia plástica a pedra do anel que a gente ia roubar contando as estrelas que o dia já apagou vendo o sol nascer às avessas esperando o barco. - Ó, lá vem o barco! O barco.
No pensador.ai desde