Frase de Antonio Montes
DORES DA VIDA A dor passa pelo quarto, pela calçada da velha rua... pela praça do abstrato de uma vida toda crua. Passa por entre os dentes e pelas famílias dos outros pelos meus e seus parentes e o futuro d'aquele garoto. A dor passa pelo seu corpo na viagem do além trespassando cães e loucos e o sopro dos santos também. Passa lá pelos jardins campos de guerra e concentração por aqui e pelos confins d'aquela triste paixão. A dor passa pelos trilhos dessa vida toda torta passa por aquelas janelas e pelos trincos dessas portas. Pela cama da saudade nos quatro cantos do mundo por mentira e por verdade e por aquele amor profundo. No frio da noite, a dor passa pelos vagabundos no lixo o choro do horror no escuro olhos do mundo. Passa a dor n'aquele voou e na carreira da ambulância no choro que hospital chorou e no tapa dada à criança. A dor passa pelos ventos com a arte da poluição pelo verde todo sedento e pelas válvulas do coração. Passa lá pela atitude e ao ataúde fúnebre necrosando a velha saúde com bactérias e febre. Passa, a dor já a cavalo pelos ventos do destino careta moldando embalo em artimanha de menino. A dor passa pela juventude de um viver e tempo passado pela vaidade, liberdade, grude e sentimentos desconfiados. Passa, querendo voltar ao alicerce de todas as linhas aos bilros de todas as rendas e aos novelos das contendas. A dor passou pelos currais mourões chibata de couro passou pelo povo de ontem e hoje, passa de novo. Quanta dor passa calada... Sem suspiro choro ou vela seca sem nem uma lagrima dor minha d'ele ou d'ela. A minha dor, passou e passa assim como passa a sua passa triste ou com graça com belo sol ou com lua. Antonio Montes.
No pensador.ai desde