Pular para o conteúdo

Frase de Pedro Rodrigues de Menezes

baobá procuro nos outonais trâmites do teu corpo o insofismável vestígio das tuas raízes salgueiro que jaz e se curva obliquamente eterna a bênção, terrível o fim do tempo deserto, areia, sol, miragem, saudade serás sempre o antes e o depois de nós e nós seremos tão pouco e tão poucos depois de ti secarão todas as welwitschias África não renascerá da força dos tambores mil homens sangrarão entre solenes rituais as grávidas abortarão com sede de terra e o céu encher-se-á de conchas e espinhas e virão os deuses deste mundo e do outro velar a desgraça efémera da sabedoria ninguém saberá mais falar, escrever ou viver. Poema dedicado a Catarina Pereira do Nascimento (Pedro Rodrigues de Menezes, “baobá”)

Pedro Rodrigues de Menezes

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Pedro Rodrigues de Menezes

⁠pouso a mão exausta na circunscrição do objecto demorado no meu tempo
Continuar lendo

⁠pouso a mão exausta na circunscrição do objecto demorado no meu tempo chamo-lhe qualquer coisa circunciso-lhe a consistência porque não há segredos no universo exacto a memória não é exacta os pés da terra são terríveis hastes moles árvore que se dança é tudo quanto basta. (Pedro Rodrigues de Menezes, "a mão exacta")

⁠uma crisálida indecifrável que respirasse na perpendicularidade
Continuar lendo

⁠uma crisálida indecifrável que respirasse na perpendicularidade das minhas pálpebras como uma força vibrante e extraordinária a desenhar as novas veias fartas e cálidas do dogma filosofia ou religião paradoxais um paradoxo forte imbatível e irrefutável que fizesse esvoaçar a inércia do verão que é na memória póstuma dos outros o solstício permanentemente sombrio uma silhueta contendo os risos verdes lá atrás onde os braços descansam nus no imponente esquecimento do mundo. (Pedro Rodrigues de Menezes, "crisálida indecifrável")