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Frase de Eli Odara Theodoro

AMADA, EU SOU PRETA! Ainda outro dia… Uma pessoa me perguntou: — Eli, onde ficam escondidos esses pretos e pretas tão bonitos (de ver, claro — mas eu não me vestiria assim, nem colocaria meu cabelo desse jeito!) que desfilam no Ilê Aiyê? Não os vejo no nosso dia a dia! Respondi: — Estão aí, amada, no seu pré-conceito. É nele que se escondem os pretos que você não vê. Precisa rever seus conceitos, só então os verá. Os pretos estão nas ruas da sua cidade natal, que transpira ancestralidade africana, mas você não reconhece. Eles estão no reflexo do seu espelho, porque se não conhece sua história, não sabe quem é. Estão na forma como você me olha porque entre “amigos” o preconceito é disfarçado, mas a verdade sempre escapa. Os pretos estão nas crianças que brincam na rua, (os “pivetes” do seu bairro periférico); nos homens que chegam cansados do trabalho (os “peões”, “marmiteiros”); nas mulheres que fazem milagre no mercado (a guerreira que compra o que dá, com o pouco que tem); nas mães solo e seus filhos (os “moleques” que o mundo já julga). Estão nos jovens da periferia, mortos a todo instante trabalhando ou não, sempre rotulados como marginais. Nos moradores de rua, sem assistência, sem resistência. Nos trabalhadores, explorados pelo capital. Nos estudantes que enfrentam um sistema educacional desigual, lutando pelo direito de aprender e pela reparação que vem em forma de cotas. Estão também nos empresários e nos esportistas que abriram brechas nas muralhas do racismo, que resistem e existem. Somos todos nós, brasileiros e brasileiras nascidos dessa diáspora afrodescendente. Mas muitos ainda escolhem negar, se escondendo atrás de conceitos limitados, sem consciência da própria história, sem saber quem são. Hoje, essa pessoa me evita… Mas eu sigo. Pretamente. Felizmente. No meu caminho de preta.

Eli Odara Theodoro

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Pensador.com

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A Pedagogia do Mito O mito não mente, ele ensina em silêncio, na dança da palavra que atravessa o tempo. É raiz que fala, voz que ecoa no tambor, sabedoria que veste o corpo com memórias de cor. No mito, não há distância, há presença que guia, é lição que não se fecha na página fria. É saber do fogo, da água, do vento, do chão, um livro aberto no céu, um aprendizado em canção. Pedagogia do mito é roda que nunca se encerra, é criança aprendendo com a lua, é ancião dialogando com a terra. Na boca que conta, na escuta que floresce, a vida se torna escola, e o mito, mestre que tece.

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Manifesto é meu som! Quando a mulher negra… se liberta das correntes impostas pelos padrões sociais estruturantes do racismo… Ela compreende: ser preta, ser mulher, estar viva… é um ato revolucionário! Assumir sua estética, afirmar sua identidade, validar sua existência… é ato político, é resistência! E ao empoderar-se… ela germina, ela floresce, ela abre caminho… Um jardim de continuidades… onde cada flor é memória, cada raiz é ancestralidade, cada fruto é futuro…

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Minha caminhada foi marcada pela sensação constante de estar “invadindo” espaços que, desde muito cedo, me disseram não serem meus. A universidade, o trabalho formal, os eventos acadêmicos, todos esses lugares pareciam sempre exigir uma performance de adequação que me sufocava. E era ali, na solidão de ser um corpo de uma negra entre tantos corpos brancos, que eu percebia o pacto: um acordo silencioso para nos manter fora, ou quando muito, sob controle. Hoje esse corpo baila dentro desses espaços por resistência, e com resistência.