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Frase de Dilmar Gomes

Naquele tempo bebia a solidão quase absoluta inerente à quietude harmônica da natureza. De permeio, aspirava algo que quebrasse o veio tedioso da tranquilidade; talvez uma pedra lançada na calmaria do lago ou a réstia de vento a debulhar o campo de trigo. Naquelas manhãs pretéritas banhava o corpo nas gotas suspensas, no rosto luminoso da fonte, navegava nos fluidos das essências sagradas, integrado à sabedoria da unidade, mas quando ousei, num passe de mágica, agir sobre a face de gaia; nomeando, adicionando e dividindo, me perdi nas trilhas bifurcadas do eu. Acho, que dentre as coisas que desesperam o homem, talvez a mais exasperante, seja absorver o cotidiano embebido de paz, tanto, que cedo ou tarde, lá vai ele, criatura inquieta, à procura de guerra, e na falta de inimigos, destrói a si mesmo.

Dilmar Gomes

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Pensador.com

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A Brevidade da Vida A minha geração passará como também passarão as gerações subsequentes assim como passam os dias, os anos, os séculos, os milênios... E ficará apenas a área de transferência onde armazenamos os sonhos para ser recuperados e vividos à posteriori... Mas a vida é exígua tal como um sopro no abismo e o homem, um eterno aprendiz na arte de viver, que no ocaso da existência solicita ao árbitro do jogo uma compensação de tempo para retornar àquela área de transferência como se fosse possível reverter as leis físicas, resgatar o elixir da juventude... Mas o tempo concedido é menor que o delírio criativo de Proust: Albertine já morreu e o caminho de Germantes não existe...

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O medo... Da minha janela, neste tarde de quase outono, descortino a rua. Vejo os passantes em sua diversidade: multidão de rostos díspares, complexidade de sentimentos quase esmagados pela noite que se aproxima. Sinto que o meu medo se fundo no medo dos meus semelhantes, percebo que os meus gestos misturam-se aos movimentos dos homens, e, que o meu espanto junta-se ao assombro dos fracos. Leio o inconformismo nos rostos cansados, como se o peso do fardo fosse algo demasiado às forças individuais Parecemos itinerantes de um percurso surrealista imposto à revelia e, estúpidos, esperamos a barca de Caronte.

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Eu sou a linha torta do poema Reto de Fernando Pessoa Eu sou o painel de Kafka, o caos, a neurose, o processo. Eu sou o Tempo Perdido de Proust, a memória, o sonho, a lembrança. Eu sou a Náusea de Sartre, o Ser, o nada, a angústia. Eu sou a dor de Nieztch, a corda atada no abismo. Eu sou o "Gita" do mago Eu sou aquele que não sabe.

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O Casarão... Este é o último casarão que restou na cidade; arquivo abalroado de memória, ressonância de passos repetidos milhões de vezes pelos velhos corredores. As paredes internas, são murais pintados de sangue vertido das histórias de vampiros, contadas às crianças nas noites de agosto. As fotografias expostas nos cantos lembram cenas de um filme em preto e branco: pequenas e grandes cenas cotidianas; alegria, dor, nascimento e morte: o eterno repetir da aventura humana. No sótão, os arcanjos guardam o pergaminho da historia das Mil e uma noites. No quintal, a serpente vigia o fruto proibido para que Adões e Evas não possam tocá-lo.