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Frase de Eduardo Barcellos Penteado

PINCELADAS Eduardo B. Penteado Queria pintar seus olhos Numa parede cinza, bem cinza Cinza como o desejo Num beco sem saída Queria saber a hora certa De lhe entregar o proibido Poema cego Poema surdo Ah, libido... Não me olhe demais Não me tente jamais Jamais preste atenção no que digo Tolas frases jogadas São perigosas pinceladas De um desejo perigoso e proibido Jamais Jamais preste atenção no que digo.

Eduardo Barcellos Penteado

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À IMOBILIDADE DO VENTO Eduardo B. Penteado Adeus, folha solta ao vento
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À IMOBILIDADE DO VENTO Eduardo B. Penteado Adeus, folha solta ao vento Arranquei-te de meu corpo Podei-te de minha alma Como um cego executa uma cirurgia Queria esvair-me em hemorragia Pois tua seiva eu não mais queria Tu eras a última folha de outono que não caía Era a tua presença única e exclusiva Que me protegia Mas sempre busquei aventura na secura De minhas artérias vazias Mas por que não fazer-te testemunha De minha própria morte? Tua resposta repousa em tua própria sorte A folha gira solta e livre no horizonte E aos prantos, transforma-se em ave Criou asas, não mais depende do vento Paira no ar E com um último olhar Fulminante Cantarola e voa em disparada rumo à vida Ao sol E ao esquecimento Adeus, folha solta ao vento.

PÓLENS Eduardo B. Penteado Nada a fazer, senão
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PÓLENS Eduardo B. Penteado Nada a fazer, senão Escutar o mais belo tango do mundo Num fim de tarde perdido num verão Na mais bela cidade do mundo... que importa? Velando o cadáver de um telefone mudo. Espero a chance de ouvir a voz Da mais bela mulher do mundo Cujo rosto não me recordo mais Ainda não aprendi a matar de fome Os meus devaneios... travesseiros... não. Só queria ter o poder De fazê-la pensar em mim por um só momento Apenas por um momento. Que asneira, é óbvio que não! Um momento apenas não faria meu telefone tocar E hoje o meu telefone morreu Somente hoje Calou-se, emudeceu Saí, bebi, chapei Ri com os outros ébrios, aprisionando lágrimas E amaldiçoando as mudas rosas que mandei...

A BLIND MAN´S DREAMS (Rio, 11/02/1982) Eduardo B. Penteado There was once a boy
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A BLIND MAN´S DREAMS (Rio, 11/02/1982) Eduardo B. Penteado There was once a boy Who had nothing else to see You see The boy is me Whoever loved me Had much to cry for Whenever I loved someone I usually quoth, "nevermore" I have had many dreams Most of which never came true But you see, clueless girl My best dream is still you...

PERDÃO Eduardo B. Penteado Não posso ver-te, sob pena de uma velha dor
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PERDÃO Eduardo B. Penteado Não posso ver-te, sob pena de uma velha dor A dor que tua redoma em mim provoca Inatingível! Caminhei muito e para longe Somente para encontrar-te na direção oposta Ah, como eu jurei... Jurei nunca mais dedicar a ti minha poesia Jurei que nunca te amei Jurei... Oi. Sei que andas linda E quiseras não ter-me feito sofrer Segurei tua mão ontem, e lembrei que és... Algo escapou da mais profunda masmorra E foge rumo à superfície Os portões explodem, e o Algo avança Por que insistes em ficar tão perto de mim? Inatingível, é o que és... Dona de uma crueldade indômita e bela Melhor nem mencionar teus olhos, pois... Pedi-te para não me encarares e desobedeceste Por quê? Pediste perdão. Aqui tens Algo parecido. Ou não...