Frase de Oswaldo Jesus Motta
O que não digo Não te digo o nome. Mas sei: sentas nos cantos da tarde como poeira que a luz revela. Chegas sem ruído, ocupas o que não vigio um intervalo entre duas lembranças, a pausa antes da palavra. Hoje, não. Abro as janelas do corpo, deixo entrar o que vive: o riso esquecido nas mãos, o calor antigo dos abraços, vozes que ainda respiram no fundo do tempo. Leva contigo esse frio de fim, essa promessa estreita de que tudo se apaga. Fica-me o instante inteiro, indomável ardendo baixo como lume que persiste. E se um dia voltares, que me encontres assim: habitado em brasas.
No pensador.ai desde