Frase de Gabriela Moda Lourenço
Eu era silêncio, era pedra, era mar. Nenhum sorriso, nenhum pesar, apenas a dança do tempo a passar, leve, sem voz, sem lastro a carregar. Mas a vida gritou, rasgou-me a paz, trouxe dores que o peito desfaz. Memórias escuras, noites sem fim, a luta constante, perdida em mim. Hoje sou rio, mas de águas turvas, onde as margens são sonhos que turvam. Cada passo é cansaço, um grito abafado, querendo parar, mas sempre chamado. Sinto a exaustão em cada respirar, o desejo de soltar, de enfim deixar. Mas há raízes que me prendem ao chão, e um eco distante que insiste: não. Ah, como invejo o passado sem cor, onde o nada era tudo, e o tudo sem dor. Mas há algo no sofrer que a alma refaz, mesmo cansada, sei que a luta é capaz. Que a apatia me leve, se um dia vier, mas que hoje, na dor, eu seja quem quer: sentir, existir, até resistir. E talvez um dia, sorrir.
No pensador.ai desde