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Frase de Pedro de Alexandre

A Dança da Caneta e da Tinta ​Eu quero muito escrever, Quero poetizar o mundo. E quando eu escrever versos, Que a caneta seja eu. ​E que eu ouse juntar as linhas, Sair delas sem rumo, E que você seja a tinta fresca Escorrendo sobre a direção, O rumo tomado pela caneta. ​Que haja palavras e letras em revolução No instante em que a tinta e eu Estivermos em transe; Que haja sopro de prazer e almas Quando as linhas se chegarem Diante das veredas dos traços livres. ​Que os livros velhos voem como pássaros, Que o invisível tenha coragem De se despir da couraça estúpida, Do breu da ignorância e do medo, Mostrando-se como tal e qual. ​E se as linhas voltarem à linearidade, Que ousem se juntar, uma a uma: Ponta a ponta, ponto a ponto. Uma linha robusta, infinita, única, Onde nada fica nas entrelinhas. ​Onde tudo cabe, inclusive nós: A caneta e a tinta que somos. E que se firme espiralado, Do horizontal ao vertical, infinitamente, Se abrindo na base o tanto preciso Para que o broto esteja sempre vivo. ​E assim, a escrita fica mais flexível, As palavras mais fluidas, A caneta mais sensível à arte, E a tinta com mais espaço para brincar De escorregar das vias de regras.

Pedro de Alexandre

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Pensador.com

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Outras frases de Pedro de Alexandre

⁠Uma civilização que tem apenas um deus não deveria ter a pretençao de catequizar gerações que têm vários deuses. Isso ocorre porque o individualismo é sempre traiçoeiro e mal intencionado. Já a coletividade é sempre acolhedora, inclusive ao ponto de acolher o individualismo co…
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⁠Uma civilização que tem apenas um deus não deveria ter a pretençao de catequizar gerações que têm vários deuses. Isso ocorre porque o individualismo é sempre traiçoeiro e mal intencionado. Já a coletividade é sempre acolhedora, inclusive ao ponto de acolher o individualismo como mais uma manifestação do próprio coletivo. Seja nas questões humanas, nos seus costumes ou crenças, seja nos seus sagrados, individualismo e coletividade são características que afetam diretamente o desempenho e a sustentabilidade da humanidade.

⁠A "POSSE" DOS LIVROS De nada vale a inteligência adquirida pelos livros? Quando eu desmereço a leitura aos "deslivrados",
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⁠A "POSSE" DOS LIVROS De nada vale a inteligência adquirida pelos livros? Quando eu desmereço a leitura aos "deslivrados", Quando os impeço ou os escondo da História escrita, Quando lhes impeço do protagonismo da escura cor. Não aprender a compartilhar as fontes da construção É não abstrair da evolução o intelecto, a real lição. É ilusão pensar-se como sábio, intelectual ou mestre, Comprimido pela avareza e a condição da ignorância. Sabedoria é abstratismo, depósito, mas não é refúgio! É verbo, mergulho, navegação, não culto a si mesmo. Por vezes, inversa, desobedecendo as normas de ser, Voa livre das folhas, para além, nem sempre escritas. Ah se os meus livros saíssem todos voando por aí! Ah se viesse um tempestuoso vento forte, a tempo. Um vento desses que com descaso causam o caos! Que açoita o ego, ou as folhas do limoeiro ácido. Ah se visse um vento intruso, rabugento e mal criado, Capaz de "livrar" os "meus livros" do pueril cativeiro! Prisões, "minhas posses", insanidades, "meu apego", Levando-os aos lugarejos "desmerecidos e opacos". Ah se esse vento me deixasse, sem "ter meus livros"! Jogando-os todos sobre as minhas carrancas tristes! Dando-me lições abstratas, inversas, desconhecidas, Mostrando-me as faces atrofiadas pelo meu egoísmo. Ah se esse vento viesse sem avisar-me de seu tempo! "Livrando-me" ante as crenças, os apegos e os muros. Entulhos que aprisionaram-me ao abismo da ilusão, Impedindo-me a refrigeração dos mundos externos. Ah se esse tempo chegar e causar o caos nos livros! Isso seria literalmente um atentado, um "livramento"! Seria como uma recomposição, uma composição! Talvez eu saberia lutar, mas não faria o contra-tempo. Talvez eu sentiria prazer, por uma estranha liberdade... A "minha liberdade"; por não ver "meus livros presos". Talvez a liberdade dos livros me causaria inveja, dor! Libertando-se, libertam outros seres, outros livros. Alguns contos ou poesias não existiriam à revelia, Sem que o vento causasse um caos nos incipientes. Os livros vêm com o caos, a sabedoria vem depois! Os livros sopram o vento, o tempo cristaliza os livros. (Pedro Alexandre).

⁠REZO ELEMENTAR Que ser é esse, escorrendo-se em vida, o presente Derramando-se como relva, regando-nos ao deleite
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⁠REZO ELEMENTAR Que ser é esse, escorrendo-se em vida, o presente Derramando-se como relva, regando-nos ao deleite Como se lírios fôssemos, no paraíso do onipotente Mesmo que vivamos no dúbio inferno de estimação. Banha-nos a torre de nosso ego, a insensibilidade Batiza-nos nos refúgios e sagrados altares pagãos Em mantras noturnos da santíssima ancestralidade Pelos tambores cardíacos dos corações irmãos. Lava-me em acolhimento e amor, ao recém nascido Antes que o cordão se rompa da raiz, da querência A mãe germe do broto divino, sagrado, adormecido Aurora de minh'alma, desabrochando-se, à sequência. Que ser é esse que me banha de fluidos universais Que transborda-me em pensamentos, e vontades Que transcende-me de meus desertos sentimentais Que irriga os amores eternos das minhas mocidades. Que ser é este, que me põe a ser, ser elementar Que me põe a olhar meu espelho vivo e trágico Que me pare no leito de morte de minha ancestral Ao mesmo tempo em que me mostra, mágico. Batiza-me, oh santa medula mãe, de mãos serenas Pondo-me no espelho interno de minh'alma Na quietude de seus lírios, artemísias e sucenas Na edificação da verticalidade de minha calma. Prontifica-me em verbo à luz, em ética, à direção Põe-me em silêncio, poetizando-me de memórias Ao procurar as notas do amor, da paz, da emoção Esperando minhas verdades ou crenças irrisórias. Pedro Alexandre.