Frase de Pedro de Alexandre
REZO ELEMENTAR Que ser é esse, escorrendo-se em vida, o presente Derramando-se como relva, regando-nos ao deleite Como se lírios fôssemos, no paraíso do onipotente Mesmo que vivamos no dúbio inferno de estimação. Banha-nos a torre de nosso ego, a insensibilidade Batiza-nos nos refúgios e sagrados altares pagãos Em mantras noturnos da santíssima ancestralidade Pelos tambores cardíacos dos corações irmãos. Lava-me em acolhimento e amor, ao recém nascido Antes que o cordão se rompa da raiz, da querência A mãe germe do broto divino, sagrado, adormecido Aurora de minh'alma, desabrochando-se, à sequência. Que ser é esse que me banha de fluidos universais Que transborda-me em pensamentos, e vontades Que transcende-me de meus desertos sentimentais Que irriga os amores eternos das minhas mocidades. Que ser é este, que me põe a ser, ser elementar Que me põe a olhar meu espelho vivo e trágico Que me pare no leito de morte de minha ancestral Ao mesmo tempo em que me mostra, mágico. Batiza-me, oh santa medula mãe, de mãos serenas Pondo-me no espelho interno de minh'alma Na quietude de seus lírios, artemísias e sucenas Na edificação da verticalidade de minha calma. Prontifica-me em verbo à luz, em ética, à direção Põe-me em silêncio, poetizando-me de memórias Ao procurar as notas do amor, da paz, da emoção Esperando minhas verdades ou crenças irrisórias. Pedro Alexandre.
No pensador.ai desde