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Frase de Raimundo Correia

O Misantropo A boca, às vezes, o louvor escapa E o pranto aos olhos; mas louvor e pranto Mentem: tapa o louvor a inveja, enquanto O pranto a vesga hipocrisia tapa. Do louvor, com que espanto, sob a capa Vejo tanta dobrez, ludíbrio tanto! E o pranto em olhos vejo, com que espanto, Que escarnecem dos mais, rindo à socapa! Porque, desde que esse ódio atroz me veio, Só traições vejo em cada olhar venusto? Perfídias só em cada humano seio? Acaso as almas poderei sem custo Ver, perspícuo e melhor, só quando odeio? E é preciso odiar para ser justo?!

Raimundo Correia

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Pensador.com

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Se se pudesse o espírito que chora Ver através da máscara da face, Quanta gente, talvez, que inveja agora
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Se se pudesse o espírito que chora Ver através da máscara da face, Quanta gente, talvez, que inveja agora Nos causa, então piedade nos causasse.

Mal Secreto Se a cólera que espuma, a dor que mora N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
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Mal Secreto Se a cólera que espuma, a dor que mora N’alma, e destrói cada ilusão que nasce, Tudo o que punge, tudo o que devora O coração, no rosto se estampasse; Se se pudesse, o espírito que chora, Ver através da máscara da face, Quanta gente, talvez, que inveja agora Nos causa, então piedade nos causasse! Quanta gente que ri, talvez, consigo Guarda um atroz, recôndito inimigo Como invisível chaga cancerosa! Quanta gente que ri, talvez existe, Cuja aventura única consiste Em parecer aos outros venturosa!

As Pombas Vai-se a primeira pomba despertada... Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
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As Pombas Vai-se a primeira pomba despertada... Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas De pombas, vão-se dos pombais, apenas Raia, sanguínea e fresca, a madrugada... E, à tarde, quando a rígida nortada Sopra, aos pombais, de novo, elas serenas, Ruflando as asas, sacudindo as penas, Voltam todas em bando e em revoada... Também dos corações, onde abotoam, Os sonhos, um por um, céleres voam, Como voam as pombas dos pombais: No azul da adolescência as asas soltam, Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam, E eles ao coração não voltam mais.

Amor e Vida Esconde-me a alma, no íntimo, oprimida, Este amor infeliz, como se fora
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Amor e Vida Esconde-me a alma, no íntimo, oprimida, Este amor infeliz, como se fora Um crime aos olhos dessa, que ela adora, Dessa, que crendo-o, crera-se ofendida. A crua e rija lâmina homicida Do seu desdém vara-me o peito; embora, Que o amor que cresce nele, e nele mora, Só findará quando findar-me a vida! Ó meu amor! como num mar profundo, Achaste em mim teu álgido, teu fundo, Teu derradeiro, teu feral abrigo! E qual do rei de Tule a taça de ouro, Ó meu sacro, ó meu único tesouro! Ó meu amor! tu morrerás comigo!